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CPI do Zoológico do Rio irá investigar denúncias de maus-tratos e furtos

Em visita ao Zoo feita pelo vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL), foi registrada imagens de animais em meio às obras. Tigre estava em jaula no local - Divulgação
Em visita ao Zoo feita pelo vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL), foi registrada imagens de animais em meio às obras. Tigre estava em jaula no local Imagem: Divulgação

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

27/02/2020 04h02

Resumo da notícia

  • Comissão deve ser instalada em março na Câmara Municipal do Rio
  • Ave rara está em lista de 18 animais furtados do zoológico
  • Animal custa cerca de R$ 80.000 no mercado negro
  • Vereadores irão fiscalizar obras e transferência de animais
  • Grupo Cataratas irá criar no local um bioparque de preservação de animais

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro irá instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Zoológico a partir da primeira semana de março para apurar possíveis irregularidades no local. Um grupo de vereadores analisa três volumes com mais de 700 páginas com documentos sobre furtos de animais, transferências irregulares e até mortes de espécies sem atestado de óbito.

Em meio à documentação, há o contrato de concessão firmado entre a Prefeitura e o Grupo Cataratas, que assumiu a gestão do local desde outubro de 2016. A Comissão de Proteção e Defesa dos Animais do Rio da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também inspecionou o Zoológico na quarta-feira (19), para monitorar as obras em andamento e verificar denúncias de maus-tratos, mortes e estresse dos animais.

A previsão é de que o BioParque do Rio, um modelo de preservação de animais, seja aberto ao público em julho deste ano na Quinta da Boa Vista. Entretanto, a inauguração estava prevista para outubro de 2018 no contrato inicial. O Zoológico só foi fechado completamente para as obras no dia 30 de novembro de 2019.

Na sua inspeção às obras, a OAB solicitou que fosse derrubado um muro que separa um casal de hipopótamos há cerca de 15 anos. "O BioParque se comprometeu publicamente a unir o casal novamente. Vamos examinar laudos e documentos só depois do Carnaval", explicou Reynaldo Velloso, advogado, biólogo e ambientalista que preside a comissão. O relatório da OAB deve ser concluído em dois meses.

Casal de hipopótamos separado por um muro no Zoológico do Rio - Divulgação
Casal de hipopótamos separado por um muro no Zoológico do Rio
Imagem: Divulgação

Os vereadores também querem verificar como está o estado de saúde dos animais em meio às obras. O vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL-RJ), que propôs a abertura da CPI, fez uma inspeção. No local, foram registradas fotos dos animais. Como de um tigre enjaulado. E de jacarés, que convivem com tartarugas em uma piscina reduzida.

"Os animais estavam em jaulas pequenas. O elefante estava em um espaço muito reduzido e estressado pelo pequeno espaço e pelo barulho das retroescavadeiras, dos caminhões e dos funcionários trabalhando", disse.

O grupo também irá analisar o furto de 18 espécies nos últimos três anos com base em ocorrências registradas na Polícia Civil. Em maio de 2018, num intervalo de apenas dez dias, ocorreram 12 furtos.

Obra que vai transformar Zoológico do Rio em reserva natural está atrasada - Divulgação
Obra que vai transformar Zoológico do Rio em reserva natural está atrasada
Imagem: Divulgação

Ave rara custa R$ 80 mil no mercado negro

O caso mais emblemático ocorreu em julho do ano passado, quando uma arara-azul-grande, ave rara avaliada em R$ 80 mil no mercado negro, foi levada do zoo do Rio. A informação foi registrada pela Polícia Civil em ocorrência do furto. A espécie ganhou notoriedade ao aparecer no filme de animação "Rio", lançado em 2011, que fala justamente sobre o tráfico de animais silvestres.

A transferência de 13 animais sem documentação para um rancho em Cachoeiras de Macacu (RJ), em abril de 2017, também será investigada. Em março do ano passado, um documento assinado pela Fundação RioZoo notificou o problema, solicitando informações, como a documentação dos animais no local e laudos de necrópsia de espécies que já tinham morrido.

Não há guia de transferência do zoológico para o rancho. É preciso que sejam fiscalizados os atos do Grupo Cataratas e o manejo dos animais. O zoológico virou um canteiro de obras. Os animais que ficaram lá estão sendo submetidos a uma situação de estresse.
Vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL-RJ)

Jacarés convivem com tartarugas em um espaço reduzido. Imagem foi registrada em inspeção  - Divulgação
Jacarés convivem com tartarugas em um espaço reduzido. Imagem foi registrada em inspeção
Imagem: Divulgação

Grupo Cataratas nega irregularidades

Fernando Menezes, diretor-técnico do BioParque do Rio, negou atraso nas obras. Segundo ele, a licença de entidades, como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e Corpo de Bombeiros, só saíram em dezembro de 2018.

Menezes disse, ainda, que as transferências de animais foram autorizadas pelo Ibama e notificadas à Prefeitura do Rio. E que a empresa possui todos os atestados de óbito dos animais.

Ele também informou que medidas foram tomadas para impedir furtos. Segundo o diretor, um problema crônico no zoológico.

O Grupo Cataratas aumentou a equipe de segurança, modernizou o sistema de câmeras de vigilância e elevou os muros dos locais mais vulneráveis. Há alguns meses, não registramos mais furtos de animais.
Fernando Menezes, diretor-técnico do BioParque do Rio

Em nota, a Prefeitura do Rio também se posicionou sobre o caso. "No que se refere aos animais, a Fundação RioZoo deixa claro que não há qualquer indício de problemas de saúde ou de estresse até o momento. Os animais que permanecem no interior do zoológico são acompanhados de perto pela comissão de fiscalização, composta por profissionais experientes", informa. "Ressaltamos também que a maioria dos animais se encontra fora das áreas de intervenção ou foram transferidos para outros zoos até o término da obra", conclui a nota.

Cotidiano