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15 dias

RJ: Polícia tenta prender MC carioca investigado por associação com tráfico

MC Poze é considerado foragido - Reprodução/Facebook
MC Poze é considerado foragido Imagem: Reprodução/Facebook

Pauline Almeida

Colaboração para o UOL, no Rio

08/07/2020 00h39

A Polícia Civil do Rio de Janeiro tenta prender Marlon Brandon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, que tem mais de 4,5 milhões de seguidores nas redes sociais. Suspeito de atuar no tráfico de drogas e ser membro da facção Comando Vermelho, ele não foi encontrado pelos agentes da 34ª Delegacia de Bangu em buscas realizadas anteontem e é considerado foragido.

No Twitter, às 21h07 de ontem, MC Poze publicou uma mensagem em que se diz perseguido por ter crescido em favela e atualmente ser artista. "Errei paguei por isso dei a volta por cima e hoje estou no topo, TOPO uma das coisas que um FAVELADO NUNCA PODE CHEGAR PORQUE SE CHEGAR E BANDIDO E ISSO É AQUILO!!(sic)", escreveu em seu perfil.

Cerca de meia hora depois, ainda acrescentou: "mas o problema é que o sistema não quer ver um preto favelado no msm patamar que ele, não quer ver um preto favelado no mesmo restaurante, ter uma casa igual a deles, eles acham que só pq somos de favela não podemos subir na vida, ser um alguém !!".

Segundo a Polícia Civil, ele chegou a assumir que esteve no tráfico de drogas entre os anos de 2015 e 2016, mas nega participação no crime atualmente. Já o delegado Alan Luxardo, que comanda a investigação, defende que existem provas do contrário. "Tem foto em que ele está portando arma, fuzil. Tem foto em que ele está ao lado de traficante armado, tem vídeo dele enaltecendo o tráfico", argumentou.

Um dos fatos levantados no inquérito é a apresentação do MC em uma festa na favela do Jacarezinho, zona Norte do Rio, em março deste ano, que seria o aniversário do traficante Felipe Ferreira Manoel, o Fred, um dos líderes do tráfico de drogas na comunidade.

Indícios de participação no Comando Vermelho

Segundo o delegado Alan Luxardo, um dos indícios da participação de Poze no Comando Vermelho seria o fato de ele só poder fazer shows em favelas comandadas pela facção, a maior do Rio, sendo considerado inimigo em outros locais.

"Ele enaltece a facção, participa de forma direta e indireta. Se você enaltece, você sabe que tem tráfico, participa, ganha dinheiro disso, tudo isso faz ele entrar no crime", sustentou o delegado, em entrevista ao UOL.

No mandado de prisão deferido pela 35ª Vara Criminal do Rio, Marlon Brandon é acusado de tráfico de drogas, associação ao tráfico, apologia ao crime e corrupção de menores. No ano passado, ele havia sido detido em um baile funk realizado em Sorriso, no Mato Grosso, suspeito dos mesmos crimes. À época, negou os delitos e justificou que não era o organizador do evento.

Poze também gera polêmica pelo teor das letras das músicas, como "Homenagem para tropa do Rodo", com versos "Essa foi uma homenagem pros amigos meus / Que hoje estão descansando com Deus / Nunca vão ser esquecidos, valeu guerrilheiros / Que morreu metendo bala pelo Comando Vermelho".

Em março deste ano, um vídeo do baile na favela do Jacarezinho veio à tona e causou polêmica. As imagens mostravam homens armados disparando para o alto e foram investigadas pela Polícia Civil.

Por meio de uma nota divulgada pelo advogado José Estevam Macedo Lima, à época, Poze emitiu repúdio "às condutas discriminatórias à cultura do funk e ao cerceamento à liberdade de expressão cultural e que, rotineiramente, vem sofrendo nas mídias sociais. O funk é manifestação cultural e associar crime a essa expressão, além de um grave atentado à Constituição, mostra claramente o preconceito por parte de quem o faz. O artista é contratado para cantar, apenas. O que os frequentadores fazem, além dos limites do palco, não cabe ao artista investigar", divulgou em março.

A reportagem do UOL fez contato ontem com o advogado Macedo Lima, que defende Marlon Brandon, e com a assessoria de imprensa do artista. Eles disseram que seria enviada uma manifestação por nota, mas ela não chegou até o fechamento desta matéria.

Foram questionados os posicionamentos do MC Poze sobre o mandado de prisão e se ele deve se apresentar à Justiça e entrar com pedido de habeas corpus. Também o que tem a dizer sobre as letras com citações do mundo do crime e as fotos com armas, em que ele aparenta ser mais novo e podem ser do período em que esteve no tráfico de drogas.

Caso Renan da Penha

Nas redes sociais, a notícia envolvendo MC Poze provocou a mesma polêmica suscitada pela prisão de Rennan da Penha, idealizador do Baile da Gaiola, na comunidade da Penha, no Rio de Janeiro.

Em março do ano passado, o DJ foi condenado em segunda instância por associação ao tráfico. Defensores do artista argumentam que a decisão judicial não se baseou em provas e que ele foi vítima de preconceito por se apresentar em favelas, enquanto a sentença do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) alega que ele seria 'olheiro' de criminosos e enalteceria o crime em seus shows.

Renna da Penha saiu da cadeia em novembro do ano passado, após obter um habeas corpus.

Cotidiano