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Morre Léo, único leão de zoológico do Recife e um dos mais velhos do país

O leão Léo e o veterinário Dênisson Souza: amizade - Lu Rocha/Semas-PE
O leão Léo e o veterinário Dênisson Souza: amizade Imagem: Lu Rocha/Semas-PE

Diogo Cavalcante

Colaboração para o UOL, em Recife

16/01/2021 20h12

O leão Léo, 21, morreu na manhã de hoje no Recife. Ele era o único de sua espécie do Parque Dois Irmãos, zoológico da capital pernambucana, e um dos mais idosos do país. O animal não resistiu às complicações causadas por um câncer na mandíbula e problemas no fígado, descobertos há três meses.

O animal tem uma história de vida sofrida. Em 2000, ainda filhote e com as garras arrancadas, ele foi resgatado do Circo Vostok, em Jaboatão dos Guararapes, local onde morreu uma criança atacada por um leão adulto. Sua família foi abatida por policiais na ocasião e Léo foi o único sobrevivente da tragédia.

"Nos primeiros anos, ele ficava incomodado com farda de Bombeiro ou Polícia. Ficava incomodado quando via pessoas de farda ou carros com giroflex (lanterna policial que fica em cima da viatura). Acho que ele associava ao trauma. Mas isso foi diminuindo com o tempo", recorda o veterinário Dênisson Souza, em entrevista ao UOL.

Dênisson desenvolveu uma relação de amizade e proximidade com Léo, iniciada ainda no tempo em que era estagiário do zoológico.

"Ele chegou em 2000 e eu cheguei em 2002. Logo fiz amizade com ele. Ele era filhote, aceitava bem o carinho. Fui conquistando a confiança, falava com ele quando chegava. Sempre foi muito dócil. Nunca foi agressivo", disse, visivelmente emocionado.

Léo gostava de carinhos

Em vida selvagem, um leão vive, aproximadamente, 12 anos. Mas os cuidados da equipe do zoológico com Léo o fizeram viver até os 21, comemorados recentemente, em 30 de dezembro de 2020. Nos momentos de lazer, o felino realizava atividades de enriquecimento ambiental, para estimular seus instintos. No entanto, gostava mesmo era de carinho.

"Ele gostava que eu coçasse a barriga dele. Quando ele conseguia se deitar de costas, só levantava quando eu parava de coçar. Às vezes, eu ficava na parte de cima do zoológico e ele me via do lugar onde ele estava, olhava para mim e se deitava, esfregando as costas no chão, como se pedisse para eu coçar sua barriga", conta Dênisson.

O leão nunca foi de ficar doente. Até que em outubro de 2020, sangramentos constantes na gengiva acenderam o alerta na equipe do parque.

"Ele não tinha histórico de pancada na boca e os medicamentos mais comuns paravam o sangramento, mas depois voltava. Aí investigamos e vimos que era um problema bem sério", relata. O felino passou a ser tratado para controlar o avanço do câncer até seu falecimento neste sábado.

Dênisson, assim como toda a equipe do Parque Dois Irmãos, está em luto pela perda de Léo. Mas é grato pela convivência com o felino. "Às vezes, quando eu estava aperreado com alguma coisa da vida, eu ia para lá e ele se aproximava de mim, dava tranquilidade, e eu ficava mais em paz. Se ele pudesse me ouvir, eu só queria agradecer a ele por ter confiado em mim", disse.

"As pessoas sempre me perguntam se eu tinha medo dos animais, como Léo. E eu brinco, dizendo que medo eu tenho quando vou para casa e lido com outra pessoa no trânsito. Com eles a gente reforça os melhores sentimentos que devemos ter, que são a amizade sincera e a fidelidade. Ele sempre foi meu amigo, confiou em mim, chegou a dormir do meu lado. E não guardava rancor. Animal não tem ego. Só isso já ensina muito ao humano", conclui.

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