General, cantora lírica e celebridade: conheça a primeira-dama chinesa

Do UOL, em São Paulo

Ela poderia ser chamada de Carla Bruni da Ásia, em comparação à ex-primeira-dama francesa que também era cantora, mas não tem lá tanta fama internacional. Estamos falando de Peng Liyuan, a primeira-dama chinesa.

No entanto, de Pequim a Cantão, de Xangai a Urumqi, todos os chineses conhecem esta soprano, general de brigada no Exército, estrela por 25 anos da televisão estatal, cujo último programa, em 2008, foi assistido por impressionantes 770 milhões de telespectadores, o equivalente a quatro Brasis.

Xi Jinping assumiu a Presidência da China em março de 2013, desde então, Peng preferiu a discrição à fama e suas aparições agora são nas reportagens de moda que a consideram um ícone fashion que influencia as mulheres chinesas com seu estilo. Em 2015, a revista Forbes listou-a em 68º lugar no ranking das mulheres mais poderosas do mundo.

"Desde a era de Mao, as mulheres de altos dirigentes chineses não são mais mostradas em público", afirmou, em 2012, Zhang Yaojie, um pesquisador da Academia Nacional de Artes, à AFP. Desde a cruel Jiang Qing, a última mulher de Mao Tse-tung, a "imperatriz vermelha" odiada pelo povo pelos seus erros e brutalidades durante a Revolução Cultural (1966-1976), as mulheres dos líderes chineses permaneceram nas sombras.

Peng é diferente, é carismática. Em vídeos antigos na internet, mostra-se uma linda mulher, cabelo negro espesso, maçãs do rosto salientes e sorriso radiante. Em uniforme militar, traje étnico bordado ou manto longo fúcsia, ela canta melodias adocicadas ou músicas folclóricas com letras modificadas para glorificar o Partido Comunista.

Yuri Kochetkov/Efe e Virginia Mayo/Efe
Seria Peng Liyuan a Carla Bruni da Ásia?

Pronta para glorificar o partido

Peng entrou, com apenas 14 anos, na Universidade Shandong de Artes para estudar canto, especializando-se em canções tradicionais chinesas.

Entrou para o Exército aos 18 anos construindo seu nome como uma artista aprovada pelo Partido Comunista, aparecendo frequentemente na TV estatal para cantar canções de propaganda. "Como simples soldado, começou, graças a seu talento vocal, a participar em espetáculos do Exército para elevar o moral das tropas", afirma sua biografia publicada nos sites Sina e Baidu.

"Provavelmente 90% das canções dela são elogios ao Partido Comunista e o resto celebra nossa vida maravilhosa", explicou o crítico de música Qi Youyi à BBC, em tom sarcástico.

Imaginechina via AP Images
Peng Liyuan, atual primeira-dama chinesa, canta durante celebração em Pequim em 2009

Peng se apresentou em quase 50 países, tais como EUA, Japão e Áustria, e recebeu muitos prêmios. A apresentação da soprano na estreia do programa de gala de Ano-Novo na CCTV (China Central Television) em 1983 fez dela uma celebridade nacional.

Em 1989, Peng cantou para os soldados um mês após o Massacre da Praça da Paz Celestial. Na ocasião, o movimento pró-democracia foi violentamente reprimido pelo Exército Popular de Libertação chinês, o que deixou centenas de estudantes e moradores mortos.

Mas nem tudo são flores

Peng Liyuan nem sempre teve boas relações com o Partido Comunista. Tanto sua família como a de seu marido foram perseguidas durante a Revolução Cultural.

Em uma entrevista para a TV chinesa em 2004, Peng disse que seu pai foi categorizado como um "contrarrevolucionário" porque alguns dos seus familiares haviam servido no Exército de Taiwan. O pai da primeira-dama foi preso e forçado a limpar banheiros públicos.

David Gray/AFP
A primeira-dama chinesa Peng Liyuan segura um vombate durante cúpula do G20 em Canberra, na Austrália, em 2014

O casamento com o presidente

Quando Peng Liyuan conheceu Xi Jinping, em 1986, ela já era uma cantora famosa. Ele, divorciado, era vice-prefeito de Xiamen City, na província sulista de Fujiano.

Após apenas alguns meses de namoro, os dois se casaram, em setembro de 1987. A filha do casal, Xi Mingze, nasceu em 1992 e estudou em Harvard, nos EUA, com nome falso.

Quando finalmente se aposentou em 2008 das apresentações na televisão, muitos pensaram que tomou a decisão para não afetar o protagonismo do marido, bem menos conhecido que ela: Xi acabara de entrar para o escritório político do Partido Comunista.

Comprometida com atividades humanitárias, Peng é desde 2011 embaixadora da OMS (Organização Mundial da Saúde) contra a Aids e a tuberculose. Em 2014, o Unesco nomeou-a como enviada especial para promover a educação para meninas e mulheres. Ela também é embaixadora da Associação Chinesa de Controle de Tabaco. (Com agências internacionais e Mirror)

Sonny Tumbelaka/AFP - 5.out.2013
O presidente chinês Xi Jinping ao lado de sua mulher Peng Liyuan em 2013

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