Processo de impeachment

Na Argentina, deputados fazem sessão para debater impeachment no Brasil

Do UOL, em São Paulo

  • Twitter/Reprodução

    Cartazes com a foto da ex-presidente Dilma Rousseff e a frase "Golpe" foram espalhados pelo plenário do Congresso argentino na quarta-feira (31)

    Cartazes com a foto da ex-presidente Dilma Rousseff e a frase "Golpe" foram espalhados pelo plenário do Congresso argentino na quarta-feira (31)

Deputados argentinos protagonizaram nesta quinta-feira (1º) um debate acalorado sobre o impeachment de Dilma Rousseff. o bloco kirchnerista, ligado à ex-presidente Cristina Kirchner -- por sua vez, aliada aos ex-presidentes Lula e Dilma e Rousseff -- espalhou pelo plenário cartazes com a foto da líder brasileira destituída e as frases "golpe" e "vamos voltar".

"No Brasil se consumiu ontem um golpe parlamentar. É pouco chamá-lo de um golpe branco", disse o deputado kirchnerista Guillermo Carmona, em sua conta no Twitter.

Nem todos, porém, concordavam com esse posicionamento. Para Elisa Carrió, líder da União Cívica ARI, Dilma "lamentavelmente foi destituída", mas não se tratou de um golpe civil. "Isso vimos no caso do paraguaio Fernando Lugo", disse ela no plenário, segundo o "Clarín".

Margarita Stolbizer, do partido GEN, afirmou que no Brasil "houve um processo pseudoinstitucional para retirar do poder a presidente sem que houvesse denúncias de corrupção". "Acompanhamos com tristeza esse processo injusto e ilegítimo". 

Ainda ontem, o governo do presidente Mauricio Macri se pronunciou sobre o impeachment de Dilma. 

O comunicado, que chamou o Brasil de "país irmão", menciona a vontade argentina de "continuar pelo caminho de uma real e efetiva integração no marco do absoluto respeito aos direitos humanos, às instituições democráticas e ao direito internacional".

Declaração aprovada

Os deputados acabaram aprovando uma declaração sobre o Brasil que fala de uma "situação de extrema dificuldade em termos de preservação do Estado de direito e da democracia representativa".

Frente a isso, a Câmara argentina destacou que é "necessário reiterar" certos "princípios", como o "direito à democracia", a "participação permanente, ética e responsável da cidadania" e o "respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais".

A este texto, o partido kirchnerista Frente para a Vitória pretendia agregar uma condenação expressa "ao golpe de Estado parlamentar" contra Dilma e uma solicitação ao governo argentino para que impulsione no Mercosul e na União de Nações Sul-americanas (Unasul) a ativação dos protocolos sobre a "cláusula democrática".

No entanto, essa pretensão foi rejeitada pelo governo.

Foi também aprovada uma declaração sobre a Venezuela, que nesta quinta-feira enfrentava protestos de oposicionistas que querem um referendo sobre a remoção do poder do presidente Nicolás Maduro.

A declaração venezuelana também fala de uma "situação de extrema dificuldade" e lembra os mesmos princípios de defesa da democracia.

O kirchnerismo fracassou também em sua tentativa de somar à declaração uma menção de respaldo "ao governo constitucional eleito pelo povo venezuelano" e de alerta "sobre as tentativas de desestabilização que enfrenta a ordem institucional" nesse país, onde hoje aconteceram manifestações a favor e contra o presidente Nicolás Maduro.

Ambos documentos foram aprovados, por maioria, com o apoio da coalizão governante Cambiemos, da opositora Frente Renovadora e de forças minoritárias. (Com agências internacionais)

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