Serviço secreto sonha com nova cerca de 4,2 metros para a Casa Branca

Michael D. Shear

Em Washington (EUA)

  • Zach Gibson/The New York Times

    Agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos trabalha na segurança da Casa Branca, a residência oficial do presidente norte-americano, em Washington D.C.

    Agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos trabalha na segurança da Casa Branca, a residência oficial do presidente norte-americano, em Washington D.C.

Michael Jordan, o superastro do basquete, ficou famoso por conseguir saltar 1,21 m no ar, colocando o topo de sua cabeça a 3,15 m do solo, bem acima da cesta de basquete. Se o serviço secreto americano tiver êxito, a nova cerca de segurança ao redor da Casa Branca terá aproximadamente um metro a mais.

Quase dois anos após um homem armado pular a cerca de 2,1 m existente em torno do número 1.600 da avenida Pensilvânia e correr pela porta da frente da Casa Branca, o serviço secreto está se movendo agressivamente para projetar e construir um perímetro de segurança mais alto e forte. Os visitantes a Washington poderão em breve ver uma barreira de 4,2 metros rodeando a casa do presidente.

A pressão para se mover rapidamente é intensa; saltos de cerca na Casa Branca tornaram-se uma ocorrência habitual. Duas pessoas pularam a barreira no mês passado, incluindo um homem que tinha roubado a bolsa de uma mulher e pretendia fugir. Houve um saltador logo após o Dia de Ação de Graças no ano passado. E em 2014, autoridades detiveram um homem que tinha escalado a cerca e corrido pelo gramado norte.

Mas antes que uma nova cerca possa subir, o serviço secreto precisa obter a aprovação de dois conselhos federais, em um processo cheio de sensibilidades sobre preservação histórica, estética e segurança. Em uma cidade acostumada com uma politicagem delicada, a questão de qual será a aparência da nova cerca da Casa Branca deverá ser difícil.

"Estamos tentado encontrar um equilíbrio entre ter mais segurança e manter a natureza histórica da Casa Branca, conservando-a aberta ao público", disse em uma entrevista o diretor do serviço secreto, Joseph Clancy. "O público não quer vir à Casa Branca e ver um muro que realmente não permita vê-la."

Nas últimas semanas, autoridades do serviço secreto apresentaram suas ideias: uma cerca parecida com a existente, com pontas de espada sobre barras de metal preto duas vezes mais grossas, mais próximas umas das outras e quase duas vezes mais altas que as atuais.

Durante audiências da Comissão de Belas Artes dos EUA e da Comissão de Planejamento da Capital Nacional, autoridades do serviço secreto e do Serviço Nacional de Parques, que também estão trabalhando no projeto da cerca, disseram que têm de encontrar uma maneira de impedir que as pessoas penetrem as barreiras até o complexo de 72,8 mil m² da Casa Branca, onde o presidente trabalha e mora com sua família.

"É uma necessidade imediata", disse Thomas Dougherty, estrategista-chefe do serviço secreto, a membros da Comissão de Planejamento em uma reunião no mês passado. "A cerca atual é deficiente. Hoje não é uma alternativa moderna de segurança. Queremos trocá-la por uma cerca mais forte e alta."

Dougherty disse a membros da comissão que a nova cerca deve ter características antiescalada e antiexplosão, assim como capacidade de "detecção precoce". Esboços fornecidos à comissão pelo serviço secreto mostram sensores de segurança a intervalos de 1 metro sobre a cerca.

Mas as imagens apresentadas pelo serviço secreto levantam questões: os visitantes poderão ver a Casa Branca claramente? A nova cerca tornará difícil tirar fotos? A "casa do povo" parecerá um baluarte afastado daqueles a quem serve?

Matthew Brady/National Archives via The New York Times
Imagem com data desconhecida mostra parte do muro construído em torno da Casa Branca em 1861, na administração Thomas Jefferson

O presidente da Comissão de Planejamento, L. Preston Bryant Jr., disse que apoia a ideia de uma cerca de 4,2 m como uma medida de segurança necessária. Mas também manifestou a esperança de que o projeto final continue elegante e simples, como o edifício que ela protege.

"Não quero que nossas instalações federais sejam fortalezas", disse Bryant em uma entrevista. "Dezenas de milhões de pessoas do mundo todo visitam Washington todos os anos. Queremos que elas vejam que nossos edifícios federais e nosso governo são abertos, transparentes. Queremos imprimir nelas o tema da liberdade."

Eric Shaw, diretor do Escritório de Planejamento do Distrito de Colúmbia, disse na reunião da Comissão de Planejamento que a cerca proposta "parece um pouco pesada" e questionou as comparações feitas pelo serviço secreto com outras similares, como a que rodeia o Palácio de Buckingham, o lar da monarquia britânica, em Londres.

"Parecia que a Casa Branca estava atrás das grades", disse Shaw sobre os desenhos da nova cerca. "Parecia que estávamos prendendo a Casa Branca, de certa maneira." E acrescentou: "Na sede da democracia, é sempre estranho olhar para o palácio de Buckingham. A ideia toda, afinal, é que é uma casa de verdade, e não um palácio."

Membros da Comissão de Belas Artes, que é encarregada de proteger a estética das propriedades federais em Washington, manifestaram preocupações semelhantes.

Alex Krieger, um dos membros da comissão, comentou que as barras mais grossas na cerca proposta "resultariam em um impacto visual que é mais radical do que foi apresentado nas simulações fotográficas", segundo minutas da reunião fornecidas pela organização. Ele também comentou "a progressão histórica da altura das cercas em torno da Casa Branca" e sugeriu que a tendência foi para cercas menos atraentes.

Thomas Jefferson mandou erguer uma pequena cerca ao redor da Casa Branca em 1801, segundo a Associação Histórica da Casa Branca, e uma "cerca baixa e pesada de ferro fundido" foi levantada na fachada norte do prédio 30 anos depois. Mas foi só no início dos anos 1920 que uma cerca mais alta circundou todo o edifício.

Clancy disse que o serviço secreto está decidido a construir algo novo que mantenha o visual das cercas antigas. Ele disse que, por isso, rejeitou a colocação de painéis de vidro ou acrílico, como os que podem ser vistos em zoológicos ou arenas esportivas.

"Você também tem de pensar na estética, como isso ficaria na frente da Casa Branca?", disse. "A cerca é tradicional. É o que temos há cem anos, e qualquer coisa que coloquemos lá ficará por mais cem anos, por isso acho que a maioria está decidida sobre a cerca como melhor solução."

Como o projeto está na fase preliminar de desenho, o custo ainda não foi determinado, disse uma porta-voz do serviço secreto.

O serviço será ouvido pelas duas comissões neste verão [inverno no hemisfério sul], e a aprovação final da cerca poderá vir no outono [primavera no hemisfério sul]. O cronograma atual prevê que a construção se inicie em 2018.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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