Se a França tenta proibir o burquíni muçulmano, o que diria do "facequíni" chinês?

Edward Wong

  • Sim Chi Yin / The New York Times

    Chinesas usam máscaras para proteger rostos do sol enquanto curtem praia em Qingdao, na China

    Chinesas usam máscaras para proteger rostos do sol enquanto curtem praia em Qingdao, na China

Antes dos burquínis ganharem as manchetes globais, havia o "facequíni" chinês.

A máscara colorida que cobre o rosto todo ainda está presente, exposta nas praias lotadas chinesas neste verão e à venda online.

Ela chamou a atenção das organizações de notícias ocidentais no verão de 2012. O "New York Times" publicou um artigo de primeira página de autoria de Dan Levin sobre o fenômeno, com fotos notáveis da cidade litorânea de Qingdao por Sim Chi Yin.

Nos últimos dias, pessoas no Twitter e outras plataformas de redes sociais zombaram da proibição dos burquínis por dezenas de cidades litorâneas francesas, ao perguntarem o que as autoridades francesas fariam se turistas chinesas aparecessem vestindo facequínis. A controvérsia na França em torno da proibição do burquíni, popular entre algumas mulheres muçulmanas, por pelo menos 30 municipalidades francesas, muitas na Riviera, prossegue e uma corte superior francesa derrubou a proibição em uma cidade na sexta-feira.

Sim Chi Yin / The New York Times


As chinesas usam o facequíni nas praias para se protegerem do sol. Em alguns países asiáticos, não apenas muitas mulheres temem rugas causadas pelos raios ultravioleta, como também querem permanecer o mais pálidas possível. Cremes branqueadores de pele são populares no Japão, Coreia do Sul e Tailândia, por exemplo.

As mulheres chinesas que usam facequínis às vezes também usam trajes de banho que cobrem todo o troco e braços, semelhantes ao burquíni e às roupas usadas pelos surfistas.

Em 2012, em Qingdao, onde o facequíni é mais ubíquo, uma mulher usando uma máscara, Yao Wenhua, 58 anos, disse ao "Times": "Eu tenho medo de me bronzear".

"Uma mulher deve sempre ter pele clara", ela acrescentou. "Caso contrário, as pessoas pensarão que você é uma camponesa."

Por mais surpreendentes que possam parecer nas fotos, os facequínis são familiares na China. Mas e quanto à França? Como as mesmas autoridades e policiais que forçaram a saída das praias das mulheres muçulmanas trajando burquínis reagiriam ao traje chinês?

A proibição do burquíni provocou uma variedade de reações nas redes sociais chinesas, mas não é um grande tema de conversas.

Sim Chi Yin / The New York Times


Um homem, Li Ahong, escreveu: "Isso não é um grande passo rumo à civilização, mas um retrocesso ao barbarismo da interferência em assuntos pessoais. Se é permitido que você fique nu, então deve ser permitido ficar totalmente coberto".

(Ahong é uma palavra chinesa para imã, mas não havia indicação óbvia nas postagens do microblog que Li é um imã.)

Outro comentarista argumentou que as preocupações de segurança em torno do burquíni são legítimas: "E se houver bombas sob os burquínis?"

Na quarta-feira, a conta no microblog Weibo do "Diário do Povo", o jornal oficial do Partido Comunista, postou um comentário sarcástico sobre a proibição francesa, atacando a prática dos governos ocidentais de criticar a China por seus abusos de direitos humanos.

"Policiais armados na França forçaram uma mulher muçulmana a tirar seu traje de banho conservador", escreveu um funcionário do "Diário do Povo". "Onde estão seus direitos humanos?"

O autor inseriu um emoticon de um cachorro olhando de soslaio com um sorriso malicioso.

Polêmica faz aumentar vendas do burquíni

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Tradutor: George El Khouri Andolfato

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