Trump tem nova tática para o próximo debate contra Hillary: treinamento

Patrick Healy, Ashley Parker e Maggie Haberman

  • David Goldman/ AP

Os conselheiros de campanha de Donald Trump, preocupados com o fato de seus focos e objetivos terem se dissolvido durante o primeiro debate presidencial, na segunda-feira, planejam prepará-lo mais rigorosamente para seu próximo encontro com Hillary Clinton, treinando o candidato republicano em respostas, fatos e contra-ataques cruciais, e o preparando para atacar Hillary em questões mesmo que não seja perguntado a respeito.

Se ele está aberto a praticar meticulosamente é outra história, segundo alguns dos conselheiros e outros próximos de Trump.

Apesar de analistas de ambos os partidos e vários grupos de foco terem declarado Hillary a vencedora do debate, Trump tentou reivindicar o título para si mesmo na terça-feira, citando pesquisas online não-científicas, e disse aos seus conselheiros que acredita que se saiu bem na primeira meia hora do evento de 90 minutos.

Uma forma delicada de abordar o candidato agora está em andamento. Antes de seus conselheiros poderem moldar a performance de Trump para o próximo debate, em 9 de outubro em Saint Louis (do qual, ao contrário da especulação, ele participará, segundo um importante assessor), eles precisam convencê-lo de que pode se sair melhor do que no primeiro, e que apenas um ataque estratégico e disciplinado pode prejudicar Hillary juntos aos eleitores. Os conselheiros disseram que Trump estava preparado para lidar com os ataques de Hillary na segunda-feira, mas não executou suas respostas a eles de forma eficaz.

Os aliados republicanos de Trump disseram que ele precisava ter explorado o que viram como sendo as vulnerabilidades dela.

"As pessoas sabem quem Hillary é, elas já a veem e ouvem há 30 anos", disse Sean Spicer, estrategista chefe do Comitê Nacional Republicano, que trabalha meio expediente para a campanha de Trump. "E o que precisa ser feito a seguir é ele ser visto como o elemento de mudança."

Apesar de publicamente os conselheiros de Trump o apoiarem e elogiarem seu desempenho no debate, de forma privada demonstraram não entender por que ele deixou de atacar Hillary nas questões sobre comércio e caráter, se tornando cada vez mais errático, impaciente e subjugado à medida que o debate avançava. Em entrevistas, sete assessores e conselheiros de campanha, a maioria pedindo anonimato para poderem falar francamente, expressaram frustração e desânimo com o desempenho do candidato na noite de segunda-feira.

Eles culparam a agenda lotada dele, incluindo um comício de última hora na Virgínia, que foi adicionado dias antes do debate. Eles culparam o grande número de pessoas volúveis em sua equipe de preparação, incluindo dois militares reformados sem nenhuma experiência política. E culparam a falta de tempo dedicado à preparação de um plano de ação.

Trump, por sua vez, buscou culpar tudo, exceto a si mesmo. Durante uma aparição na "Fox News" na terça-feira, ele acusou que o moderador, Lester Holt, da "NBC News", foi excessivamente agressivo com ele, apesar de ter dito erroneamente que Holt perguntou a ele sobre um processo federal de discriminação contra uma empresa dele em 1973. (Foi Hillary quem levantou a questão do processo.) Ele também sugeriu que seu desempenho se deveu ao microfone com falha, apesar de ter permanecido perfeitamente audível durante toda a transmissão, e que pode ter sido vítima de sabotagem.

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E em um comício na Flórida na noite de terça-feira, ele atacou Hillary em termos duros, que ele se recusou a usar quando estavam frente a frente.

Mas a falta de habilidade de Trump em debate restrito a dois candidatos foi flagrante na segunda-feira, como sua incapacidade de contestar o juízo de Hillary a respeito dos ataques contra a missão diplomática americana em Benghazi, Líbia. Ele protestou na "Fox News" por não ter encontrado uma forma de levantar o assunto de Benghazi, dizendo: "Não esqueça, uma pergunta lhe é feita e fica difícil desviar para Benghazi dependendo de como as perguntas são emolduradas".

Hillary, que se preparou extensamente para o debate, foi muito mais hábil em enervar o oponente, encontrando uma forma durante uma resposta sobre comércio de abordar um empréstimo que Trump recebeu de seu pai. Os assuntos durante os debates na eleição geral costumam ser inseridos em aberturas aos próprios candidatos, e não pelos moderadores, com os quais Trump contava para estabelecer o tom durante os debates nas primárias.

O formato e agenda da próxima rodada de preparativos para o debate por Trump ainda estão sendo discutidos, disseram seus assessores.

Alguns conselheiros querem praticar como irritá-lo, como Hillary fez, para avaliar sua resposta, mas não ofereceram detalhes de como o fariam. Outros querem praticar sessões em torno do formato do próximo debate, como o de uma discussão pública, onde Trump provavelmente enfrentará perguntas de eleitores indecisos e, às vezes, sairá de sua cadeira para andar pelo palco. Trump tem pouca experiência com o formato, que pode ser desafiador para pessoas sem prática de administrar sua linguagem corporal e movimentos.

Vários conselheiros também querem fazer com que ele entenda a necessidade de se ater a uma estratégia e um plano de batalha contra uma candidata do sexo feminino, um tipo de oponente com o qual ele tem menos experiência, em vez de passar tempo polindo uma série de comentários disparatados que Hillary, uma hábil debatedora, conseguiu rebater habilmente na noite de segunda-feira.

Hillary teve sucesso várias vezes em fazer com que Trump mordesse iscas, fazendo com que este ficasse na defensiva, perdesse a calma ou se enfiasse em um buraco político, particularmente no final de debate, quando teve dificuldade de se defender contra as acusações de que fez comentários sexistas e racistas. Ele também interrompeu ou falou ao mesmo tempo que Hillary várias vezes, o que algumas eleitoras consideraram alienante. Alguns aliados de Trump disseram que ele não se preparou o bastante para enfrentar uma mulher; ele conta com apenas uma conselheira em sua equipe, sua diretora de campanha, Kellyanne Conway.

Quase todos os conselheiros dele rejeitaram a ideia de que o debate foi um fracasso para Trump, notando que ele desferiu alguns golpes e insistindo que Hillary pareceu mais polida do que de costume devido à oposição.

Mas todos descreveram o debate como cheio de oportunidades perdidas. E expressaram abertamente frustração por Trump ter sido incapaz de não morder as iscas que Hillary jogou para ele.

A preparação para o debate de Trump foi incomum. Assessores lhe trouxeram um atril e o encorajaram a participar de simulações, mas ele não aceitou, concentrando-se em conversas e discussões com conselheiros.

Durante as primárias, o grupo que lhe preparava para os debates era pequeno e fechado. No fim de semana antes do debate de segunda-feira na Universidade Hofstra, havia quase uma dúzia de pessoas preparando Trump, incluindo os generais reformados do Exército, Michael Flynn e Keith Kellogg, ambos sem nenhuma experiência em debates presidenciais.

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Houve um esforço inicial de realizar uma preparação mais tradicional para o debate, liderada por Roger Ailes, o ex-chefe da "Fox News", em um campo de golfe de Trump em Bedminster, Nova Jersey. Mas Trump achou difícil de se concentrar nessas reuniões, segundo múltiplas pessoas informadas sobre o processo e que pediram anonimato para discutir as deliberações internas. Isso deixou Ailes, que na época estava profundamente distraído por sua demissão da Fox e pelos relatos na mídia a respeito, discutindo seus próprios problemas assim como recontando histórias de guerra políticas, segundo duas pessoas presentes nas sessões.

Rudolph W. Giuliani, o ex-prefeito de Nova York e um amigo de Trump que tem viajado com ele, assumiu grande parte dos esforços de preparação no final. Mas com Trump recebendo tantos conselhos conflitantes nessas sessões, ele absorveu pouca coisa.

A equipe preparou Trump para procurar por cerca de uma dúzia de frases e expressões chave usadas por Hillary quando está incerta ou desconfortável, mas ele aparentemente não prestou atenção durante as sessões de prática, disse um assessor, e fracassou em mirar nas vulnerabilidades dela durante o debate.

"Ele claramente pareceu sem fôlego passados 30 minutos, e isso ficou bem claro", disse Scott Reed, o estrategista político sênior da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que não apoia Trump.

 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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