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Um crime sórdido provoca uma onda de indignação contra a elite no poder no Chade

Cyril Bensimon

  • Facebook/Reprodução

    A jovem Zayra Mahamat Yosko, 16, também conhecida como Zouhoura

    A jovem Zayra Mahamat Yosko, 16, também conhecida como Zouhoura

Filhos de funcionários de alto escalão são suspeitos de terem cometido agressões sexuais Poderia ter sido só mais um crime sórdido. Mas o “caso Zouhoura” acabou se tornando uma questão de Estado no Chade. Zouhoura, cujo nome verdadeiro é Zayra Mahamat Yosko, é uma jovem de 16 anos. No dia 8 de fevereiro, enquanto ia para seu colégio em N’Djamena, ela foi abordada por um grupo de jovens rapazes, pouco mais velhos que ela. “Havia cinco deles dentro de um carro. Três deles desceram e bateram na minha amiga”, ela conta ao “Le Monde” com sua voz fina. “Depois eles me bateram, me colocaram dentro do carro e me levaram para um lugar desconhecido, uma casinha onde dois outros rapazes de moto se juntaram a eles. Eles tiraram minha roupa e bateram em mim, tiraram fotos, filmaram. Eles não deram nenhuma justificativa, só disseram que eu não os cumprimentava na escola.” Antes de soltá-la, o pequeno bando ordenou que a jovem se calasse, “fizesse tudo que eles pedissem”, senão eles divulgariam o vídeo e as fotos nas redes sociais. No Chade, a honra de uma família está estreitamente ligada à reputação de suas filhas. Mas Zouhoura relatou os suplícios que sofreu a seus pais, que alertaram a polícia. Entre os supostos agressores, estavam filhos de um general e o filho do ministro das Relações Exteriores, uma juventude dourada que o povo em N’Djamena chama de “intocável”. O caso assumiu então um viés político. “Pressões” O vídeo e as fotos do suplício de Zouhoura que circulavam na internet em grupos de discussão privados vieram a público no dia 13 de fevereiro. Os retratos dos supostos estupradores também. A indignação contra esses filhos de poderosos que nadam na impunidade cresceu nas redes sociais. Em N’Djamena, as autoridades tentaram antes de tudo minimizar o caso. Zouhoura afirmou muito oportunamente à televisão nacional que ela não fora estuprada e pediu à população que não protestasse.

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