Analisadas em conjunto, pesquisas mostram vantagem modesta de Hillary sobre Trump

Nate Cohn

  • AFP - 14.jan.2016 e 4.fev.2016

As últimas semanas foram turbulentas em todo o mundo. Apenas algumas poucas e surpreendentes pesquisas sobre as eleições americanas apareceram em um ciclo de notícias dominado por tiroteios e polícia, pela decisão do FBI (Birô Federal de Investigações, a polícia federal americana) de não indiciar Hillary Clinton, a escolha de Donald Trump para vice-presidente, mais terror na França e uma tentativa de golpe na Turquia. 

Na verdade, cerca de 50 pesquisas estaduais e nacionais foram divulgadas nesta semana. Individualmente, elas às vezes parecem tão caóticas quanto as notícias de todo o mundo. Mas juntas, elas contam uma história bem mais clara: Hillary conta com uma vantagem modesta, mas clara, às vésperas das convenções. 

Apesar de uma pesquisa ocasional parecer boa para Trump, já se passaram dois meses desde que ele liderou uma pesquisa nacional que incluía eleitores sem uma linha de telefone fixo. Hillary liderou dezenas. 

A vantagem dela é menor do que no mês passado, antes do diretor do FBI dizer que não a indiciaria, apesar de a ter criticado pelo uso como secretária de Estado de um servidor privado de e-mail. Mas ela mantém uma vantagem, talvez de 4 pontos percentuais nacionalmente, e uma margem semelhante nos Estados indefinidos que provavelmente darão os votos eleitorais necessários para conquista da presidência. 

Essa história clara pode se perder nas manchetes, que tendem a dar atenção aos resultados mais surpreendentes, seja ao prever uma vitória esmagadora de Hillary ou uma pequena vantagem de Trump em Estados cruciais. 

A verdade provavelmente se encontra entre esses extremos. Os analistas de pesquisas não brincam em relação à "margem de erro": a inevitável variação aleatória que existe simplesmente ao acaso. Se Hillary lidera com 4 pontos, deve-se esperar que pesquisas a mostrem com uma grande vantagem ou em uma disputa apertada, enquanto outras se aglomeram na média. Isso é mais ou menos o que vimos na semana passada. 

Parece muito com beisebol. Até mesmo grandes jogadores às vezes jogam mal uma partida, ou passam por períodos ruins por semanas seguidas. No outro extremo, podem ocorrer noites de múltiplas rebatidas ou algumas poucas semanas espetaculares. 

Às vezes, os períodos difíceis ou encantados realmente indicam mudanças na habilidade de um jogador. Porém com mais frequência, são apenas parte do ruído inevitável envolvendo pequenas amostras. Analisar mais pesquisas é como aumentar o número de partidas, e você precisa de muitas se quiser ter confiança de que um candidato está à frente ou empatado. 

A "margem de erro" nem mesmo inclui as várias distinções entre as pesquisas, como se elas levam em conta eleitores prováveis, chamadas por celular, pesquisa online ou torna muitas outras escolhas difíceis de diferenciar de divulgações públicas opacas. 

Seja qual for o motivo, as pesquisas Quinnipiac mostram consistentemente Trump se saindo melhor do que nas pesquisas NBC/Marist, apesar de parecerem fundamentalmente semelhantes. Some essas diferenças ao erro aleatório inevitável e é surpreendente que não haja mais pesquisas mostrando Trump à frente.

As pesquisas contam uma história muito clara sobre as divisões do país em uma era de amplas mudanças econômicas e demográficas. Para os eleitores brancos com diploma superior e eleitores não brancos, a eleição presidencial de 2016 deve parecer uma lavada. Trump fica atrás por margens grandes e cada vez maiores entre esses eleitores, como ocorreu com John McCain em 2008. 

Mas a história é muito diferente entre os eleitores brancos sem diploma superior, que continuam sendo um bloco muito grande de eleitores. Aqui, Hillary está se saindo muito pior do que o presidente Barack Obama da última vez. Ao todo, essas duas mudanças cancelam uma à outra, deixando Hillary à frente com aproximadamente a mesma margem que Obama contava nas pesquisas de intenção de voto de 2012. 

Essas grandes diferenças demográficas aumentam a confusão nas pesquisas nos Estados indefinidos. Esses Estados apresentam características demográficas tão diferentes que Hillary parece estar se saindo muito bem em alguns, enquanto tendo dificuldades em outros. 

Na média, Hillary está bem em Estados com diversidade e de alta escolaridade como Virgínia, Colorado e até mesmo na Carolina do Norte. Mas está tendo dificuldade em se equiparar a Obama em locais com menos diversidade e com escolaridade mais baixa no Meio-Oeste e no Nordeste, como Iowa, Ohio, New Hampshire ou mesmo no 2º Distrito Legislativo do Maine. Mas Hillary parece empatada ou à frente mesmo nesses Estados. A combinação lhe dá uma forte vantagem no Colégio Eleitoral. 

A volatilidade pode crescer ao longo das duas próximas semanas, quando os dois partidos tiverem realizado suas convenções. Geralmente, a convenção do partido ajuda seu candidato a subir alguns poucos pontos percentuais nas pesquisas, às vezes mais. A subida costuma desaparecer nas poucas semanas que se seguem, mas às vezes não, alterando permanentemente a corrida. 

Em geral, as pesquisas preveem mais os resultados finais algumas semanas após as convenções do que imediatamente antes. Nenhum candidato presidencial moderno que permaneceu atrás nas pesquisas várias semanas após a convenção se recuperou para conquistar o voto popular.

Isso não quer dizer que não possa ocorrer, especialmente se as pesquisas pós-convenções forem razoavelmente apertadas. Há casos em que as pesquisas mudaram consideravelmente após as convenções, apesar de não contradizerem o resultado do voto popular (como em 1976 e 1980). 

Mas indicam que uma vantagem pós-convenção é significativa, mesmo restando semanas ou meses até a eleição. Àquela altura, ambos os candidatos terão tido muitas oportunidades razoavelmente iguais de unir seus partidos e expor seus argumentos para o eleitorado mais amplo. Se um candidato desfrutar de uma vantagem clara àquela altura, significará muito.

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Tradutor: George El Khouri Andolfato

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