Cientistas desenvolvem tinta capaz de matar bactérias

Catheleen F. Crowley

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    Imagem ilustrativa de potes de tinta. Cientistas anunciaram tinta capaz de matar bactérias, mas o material só deve ficar pronto para uso comercial em dois ou três anos

    Imagem ilustrativa de potes de tinta. Cientistas anunciaram tinta capaz de matar bactérias, mas o material só deve ficar pronto para uso comercial em dois ou três anos

Imagine uma substância que cubra as maçanetas das portas dos hospitais e seja capaz de matar as bactérias fatais resistentes a medicamentos que entram em contato com ela. Bem, pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer (RPI em inglês) acreditam que inventaram exatamente isso.

Sua descoberta pode levar a produtos comerciais para paredes, móveis, equipamentos médicos e roupas hospitalares capazes de destruir o Staphylococcus aureus, ou MRSA, que é resistente à meticilina, e outros micróbios perigosos que circulam pelos hospitais. A técnica também poderá ser aplicada em equipamentos usados no processamento de alimentos ou para proteger os cascos de barcos das algas e cracas.

Cientistas do RPI pegaram enzimas naturais que matam bactérias e as colocaram em nanotubos de carbono – estrutura minúsculas capazes de guardar as enzimas. Então eles acrescentaram esses nanotubos à tinta látex.

“Nós literalmente fomos até o Wal-Mart e compramos tinta”, diz Jonathan S. Dordick, professor de engenharia química e biológica e diretor do Centro de Biotecnologia e Estudos Interdisciplinares do RPI.

Os experimentos da equipe mostraram que 100% das MRSA que entraram em contato com a tinta foram destruídas, de acordo com um artigo publicado na edição de julho da ACS Nano, uma revista editada pela Sociedade Química Norte-Americana.

O material também é seguro, diz Dordick. Diferente de outras tintas antimicrobiais, ela não dissolve, não é tóxica para os seres humanos e não usa antibióticos.

Infecções resistentes a medicamentos são um grande problema nos hospitais. Os Centros para Controle de Doenças dos EUA estimam que 99 mil pessoas morrem anualmente de infecções adquiridas em instituições de saúde.

“Fizemos a pergunta: 'o que a natureza faz quando se depara com uma situação como esta?'”, diz Dordick. Seguindo o exemplo da natureza, os cientistas usaram a lisostafina para matar a MRSA. A lisostafina é uma proteína criada pela bactéria do estafilococo para se defender de ataques de outras bactérias de estafilococo. A enzima abre a parede celular e a célula da MRSA basicamente explode, diz Dordick.

Os nanotubos resolveram um problema importante de como administrar a enzima. Sozinhas, as enzimas se desprendem da tinta ou de outros materiais. Mas abrigadas no nanotubo, elas ficam estáveis. Em testes, a enzima não se desintegrou nem perdeu a eficácia depois de repetidas lavagens.

“A longo prazo, esse tipo de tecnologia poderá ser aplicado de forma relativamente barata em toda uma gama de ambientes hospitalares e assim levar à redução das infecções”, disse Dordick.

A pesquisa foi feita por Dordick e Ravi Kane, também professor do RPI, e Dennis W. Metzger, pesquisador do Albany Medical College. O estudante de doutorado Ravi Pangule conduziu muitos dos experimentos.

Dordick estima que o material fique pronto para uso comercial em dois ou três anos.

Tradutor: Eloise De Vylder

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