Opinião: É nosso dever nutrir um país onde israelenses e árabes possam prosperar

Yoav Gallant*

Em Jerusalém

  • Dan Balilty/AP

    Rua na cidade de Arara, em Israel

    Rua na cidade de Arara, em Israel

A rua Dizengoff, em Tel Aviv, está sempre movimentada. Jovens, famílias e turistas enchem as lojas, cafés e bares. Em 1º de janeiro, dois jovens foram mortos a tiros em um bar; depois, ao fugir, o terrorista matou um motorista de táxi. Várias outras pessoas ficaram feridas.

Uma semana mais tarde, depois de uma longa busca, o terrorista, um cidadão árabe-israelense chamado Nashat Melhem, foi cercado pelas forças de segurança em seu esconderijo, na cidade de Arara, e foi morto a tiros depois de abrir fogo contra seus perseguidores. O massacre de Nashat Melhem em Tel Aviv não foi sua primeira tentativa de cometer um ato terrorista, uma vez que já tinha sido condenado em 2007 por atacar um soldado e tentar roubar sua arma.

A grande maioria dos residentes de Arara é de cidadãos israelenses que seguem a lei, homens e mulheres que vivem de forma pacífica e não têm nada a ver com o terrorismo. Mas não longe de Arara, e menos de uma hora de carro de Tel Aviv, fica a filial nortenha do Movimento Islâmico de Israel, ligado à Irmandade Muçulmana.

Alinhados com outros islamitas radicais da região, os seguidores da filial do Movimento Islâmico no norte pregam uma mensagem extremista, buscando semear a discórdia entre judeus, cristãos e muçulmanos. Ao longo dos anos, a organização, usando o pretexto da liberdade de expressão, começou a abusar de seus privilégios democráticos, incitando a violência. E foi por isso eu fui um dos membros do governo que liderou o movimento para bani-la.

Ataques como o que aconteceu em Tel Aviv ameaçam a relação já complexa e delicada entre a população judaica de Israel e sua minoria árabe, um grupo que corresponde a 1,7 milhão de pessoas, entre mais de 8 milhões de cidadãos. Nesses momentos de maior tensão, o governo de Israel tem responsabilidades claras.

Primeiro, devemos proteger nosso povo. Ao longo de mais de três décadas como soldado, aprendi que não temos escolha a não ser combater o terrorismo e cortar suas ramificações sem hesitação ou condescendência.

Ao mesmo tempo, devemos preservar os direitos e as liberdades de uma democracia aberta, e manter a atmosfera de respeito e tolerância necessária a uma sociedade diversa e pluralista. Isso envolve o reconhecimento de que os destinos dos habitantes judeus e árabes de nossa terra estão profundamente entrelaçados.

O governo israelense e a liderança árabe-israelense compartilham a responsabilidade de conter a agitação em Israel. É por isso que recentemente convidei Ayman Odeh, membro do Knesset e líder da aliança da Lista Conjunta de Partidos Árabes, a visitar comigo várias cidades árabes-israelenses. Juntos, observamos em primeira mão os desafios que enfrentam as comunidades árabes-isralenses, para podermos criar soluções.

Esse esforço já começou. Dois dias antes do ataque em Tel Aviv, o gabinete israelense concordou em destinar mais US$ 3,8 bilhões para moradia, bem-estar social, infraestrutura, transporte e educação nas áreas árabes-israelenses. Especialmente no contexto dos dias difíceis pelos quais passamos, esse financiamento extra representa um passo importante na direção certa.

Nesse momento crítico, temos de levar adiante um plano estratégico para lutar contra o crime e a pobreza entre a população árabe de Israel e construir as instituições sociais e econômicas da comunidade. Mais do que nunca, isso está no cerne do interesse nacional, e precisa ser uma prioridade para o nosso governo.

A moradia e as obras, que estão sob minha responsabilidade enquanto ministro, são essenciais para melhorar a situação socioeconômica dos árabes. Agora estamos trabalhando para expandir as fronteiras municipais das cidades árabes, congeladas por décadas, colocando terras de propriedade do Estado sob sua jurisdição.

O governo israelense construirá novos bairros árabes nessas terras, com moradias de alta qualidade, enquanto aproveita um programa público já existente para ajudar jovens casais árabes a comprarem sua primeira casa. Como parte desse esforço, estamos planejando construir uma nova cidade-modelo árabe no norte de Israel, chamada Jadeidi-Makr, que abrigará 45 mil pessoas.

Os judeus e os árabes viveram juntos em nossa terra por muitos séculos, e continuarão a viver juntos por gerações. É nosso dever aceitar essa realidade, nutrindo uma cultura e um país onde ambos os povos possam prosperar.

Não devemos esquecer que, mais de uma década antes que o Estado de Israel fosse estabelecido, Zeev Jabotinsky, fundador do Sionismo Revisionista e padrinho ideológico do partido de direita israelense Likud, reconheceu que "o bem-estar político, econômico e cultura dos árabes sempre será uma precondição para o bem-estar de Israel".

Nossa Declaração de Independência garante igualdade total para todos os nossos cidadãos. Ao longo dos anos, conseguimos preservar um equilíbrio delicado entre segurança e liberalismo, e devemos mantê-lo. É isso que torna Israel único em nossa região, e sempre será uma grande fonte de orgulho para nós.

Quando o terrorismo ataca, devemos prevenir um surto de sentimento anti-árabe na sociedade como um todo; isso só aumenta o isolamento da comunidade árabe-israelense e os riscos de dar legitimidade aos extremistas. Os árabes-israelenses são nossos cidadãos; eles não são o inimigo --e não devemos permitir que ninguém enfraqueça o caráter de Israel como um estado judeu e democrático.

O extremismo e o terrorismo não superarão a determinação do governo, que é de garantir a segurança do povo israelense e fornecer um futuro próspero para nossos cidadãos judeus e árabes.

*Yoav Gallant é major-general aposentado das Forças de Defesa de Israel e é ministro da Habitação e Obras de Israel

Tradutor: Eloise De Vylder

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