Abandonar o supérfluo é caminho para o aumento de patrimônio

Mauro Calil

Mauro Calil

Especial para o UOL

Se formos ao dicionário, veremos que a palavra "supérfluo" é definida como aquilo que é dispensável, como algo ou alguém que apresenta caráter desnecessário, extravagante. O supérfluo seria aquilo que não serve para nada.

Acredito que a última frase dá margens a sofismas e que alguns desavisados andam caindo no conto de que o "supérfluo não existe". Afinal, sob o ponto de vista daqueles que compram mais um sapato, mais uma bolsa ou mais um conjunto de espetos para churrasco, o objeto adquirido tem utilidade.

A verdade é que esse sofisma da educação e do planejamento financeiro tenta justificar gastos tolos, além de estimular o consumismo, o pagamento de juros e toda a sorte de desperdícios. Quem alardeia tal ideia gera uma legião de seguidores ávidos por arrumarem desculpas para suas decisões inconsequentes de consumo e desperdício. É um raciocínio esquisito, para dizer o mínimo, e que nos leva à questão de que o supérfluo existe sim.

No mesmo dicionário do início, também poderemos ler que "supérfluo", quando usado como adjetivo, significa uma característica que transcende ao necessário, que pode ser considerada mais do que o essencial. O que nos leva à questão dos bens supérfluos.

Pagar juros para comprar um eletrodoméstico –como uma televisão ou um aparelho de som– está longe de ser necessário. Praticamente todas as compras podem ser programadas e previstas. Alegar ou justificar uma aquisição como tendo sido feita por impulso indicaria, no mínimo, falta de consciência financeira e falta de critérios de prioridade.

Se a palavra "supérfluo" é pesada para você, substitua-a  por gasto tolo –em outras palavras, aquilo que não traz um prazer permanente ou duradouro. Ao parar de consumir o que proporciona apenas uma alegria fugaz, ao evitar desperdícios –seja de água, luz, alimentos ou outros– e ao deixar de ter objetos redundantes –a começar por aqueles guardados no guarda-roupas–, você imediatamente passaria a ter um orçamento mais folgado.

Além disso, gostaria de observar que, nesse novo estilo de vida, você não passaria necessidades. Na verdade, estará se livrando do redundante, ou seja, do excesso de consumismo. O que é essencial e necessário certamente seria mantido, portanto, tal estilo tampouco será penoso.

Não é necessário fazer sacrifícios para enriquecer. No entanto, há a necessidade do aumento de consciência financeira e, com isso, focar no crescimento de seu patrimônio.

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Mauro Calil

47 anos, é especialista em investimentos no Banco Ourinvest. É também palestrante e autor dos livros 'Receita do bolo' e 'Separe uma verba para ser feliz' (ambos pela editora Gente) e proprietário da Academia do Dinheiro

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