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Lava Jato já teve 50 delações premiadas; 6 foram aceitas pelo STF

Colaboração para o UOL, em Brasília

16/03/2016 10h35Atualizada em 07/04/2016 08h57

Nesta quarta-feira (6), Flávio Barra, executivo da Andrade Gutierrez, teve seu acordo de delação premiada homologado pelo STF (Superior Tribunal Federal). O empresário, ex-presidente da AG Energia, foi preso em julho de 2015 sob acusação de participar de um esquema de corrupção na Eletronuclear, descoberto em um desdobramento da Operação Lava Jato. Em seu depoimento, Barra acusou o ex-ministro Delfim Netto de receber propina das obras de construção da usina de Belo Monte.

Na Justiça Federal do Paraná, que julga os outros réus da Lava Jato em primeira instância, já foram feitos 50 acordos de delação premiada. Desses, 41 são públicos e nove estão sob sigilo. Os nomes do doleiro Carlos Alexandre Rocha (Ceará) e do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) não constam na lista de acordos públicos enviados pela Procuradoria da República do Estado ao UOL

Delações da Lava Jato homologadas

  • Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
    Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

    Paulo Roberto Costa - ex-diretor da Petrobras

    O primeiro acordo de delação premiada da Lava Jato foi fechado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele fez o acerto com a Justiça do Paraná em agosto de 2014. Indicado pelo PP à diretoria da empresa, Costa acabou citando políticos do partido. Isso fez com que o STF homologasse a delação em setembro de 2014. Ao todo, foram 80 depoimentos e 22 declarações com acusações. Leia mais

  • Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters
    Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

    Alberto Youssef - doleiro

    Em setembro de 2014, o doleiro Alberto Youssef fechou o acordo de delação premiada enquanto estava preso na sede da PF, em Curitiba. Nos depoimentos, ele explicou como funcionava o esquema de corrupção na Petrobras e citou nomes como o do ex-ministro José Dirceu, o do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e os de outros políticos. A delação rendeu a Youssef uma redução de pena: de 82 anos para três anos de prisão. Leia mais

  • Imagem: Pedro Franca/Associated Press
    Imagem: Pedro Franca/Associated Press

    Delcídio do Amaral - senador, ex-PT-MS

    Delcídio é o primeiro político que aparece na lista de colaborações premiadas homologadas pelo STF. O acordo prevê 15 anos como o máximo de pena que ele pode cumprir e permite que ele exerça o mandato de senador. Na delação, ele acusou a presidente Dilma e José Eduardo Cardozo (então ministro da Justiça) de tentarem interferir em decisões da Lava Jato. Lula também foi citado. Todos negaram as acusações. Leia mais

  • Imagem: Alan Marques/Folhapress
    Imagem: Alan Marques/Folhapress

    Ricardo Pessoa - dono da empreiteira UTC

    O primeiro acordo de delação premiada após a divulgação da lista de inquéritos que serão julgados no STF foi com o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa. O executivo falou de doações às campanhas de Dilma Rousseff à Presidência em 2010 e em 2014 e de repasses a políticos como o senador Fernando Collor (PTB-AL). Pessoa fez a delação em maio de 2015. Ela foi homologada em junho do ano passado. Leia mais

  • Imagem: Reginaldo Teixeira/Veja
    Imagem: Reginaldo Teixeira/Veja

    Fernando Baiano - operador financeiro

    Apontado como operador financeiro do PMDB dentro da Petrobras, Fernando Antonio Soares (conhecido como Fernando Baiano) fechou acordo com a Justiça paranaense em setembro de 2015. Em seus depoimentos, o lobista citou os nomes de Delcídio do Amaral e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Condenado a 16 anos, Baiano foi para o regime semiaberto após a delação, que foi homologada em novembro de 2015. Leia mais

  • Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo
    Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

    Alexandre Romano - ex-vereador

    O ex-vereador do PT Alexandre Romano, conhecido como Chambinho, ligou Luis Gushiken (morto em 2013), ex-ministro de Comunicação do governo Lula, ao advogado Guilherme Gonçalves, jurídico na área eleitoral da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), dizendo que ele teria recebido 9% de propina da empresa Consist Software, no contrato de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento. A senadora diz que registrou o serviço em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral e nega que tenha havido irregularidades. Leia mais

  • Imagem: Alan Marques/Folhapress
    Imagem: Alan Marques/Folhapress

    Ex-diretores da Petrobras

    Já fizeram delações premiadas Pedro Barusco (ex-gerente-executivo de Serviços e Engenharia), Hamylton Pinheiro Padilha Júnior (executivo que atuou pontualmente como operador da Área Internacional), Eduardo Costa Vaz Musa (ex-gerente da Área Internacional) e Nestor Cerveró (ex-diretor da Área Internacional, na foto), além de Agosthilde Monaco de Carvalho (assistente de Cerveró).

  • Imagem: Danilo Verpa/Folhapress
    Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

    Carlos Alexandre Rocha (Ceará) - trabalhava para Youssef

    Em junho de 2015, Carlos Alexandre Rocha (conhecido como Ceará) fechou um acordo de colaboração premiada com a Justiça no Paraná. Nos depoimentos, ele citou o nome de Aécio Neves (PSDB-MG). À época, Ceará disse que um diretor da UTC teria mandado R$ 300 mil ao senador. Em dezembro, a delação foi homologada. Mas, por falta de provas, o ministro do STF Teori Zavascki mandou arquivar o processo contra Aécio em fevereiro deste ano. Leia mais

  • Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo
    Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

    Nomes ligados a empreiteiras

    Empresários também já fizeram delações. Entre eles, estão Júlio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ambos da Toyo Setal; Shinko Nakandakari, da Galvão Engenharia, além de seus filhos Luis Fernando e Juliana Sendai Nakandakari; Flávio Barra, da Andrade Gutierrez; Eduardo Hermelino Leite e Dalton dos Santos Avancini, ambos da Camargo Corrêa; Milton Pascowitch (foto) e José Adolfo Pascowitch, da Engevix; Victor Sergio Colavitti, da Link; João Carlos de Medeiros Ferraz, da Sete Brasil, Ricardo Pernambuco e seu filho Ricardo Pernambuco Junior, da Carioca; João Antônio Bernardi Filho, da Hayley; Salim Taufic Schahin, da empresa Schahin; e Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, da Oildrive.

  • Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
    Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

    Nomes ligados a Alberto Youssef

    Outros que fizeram acordo foram Luccas Pace Júnior (na foto à dir.), operador de câmbio de Nelma Kodama, doleira ligada a Youssef); Rafael Ângulo Lopez, funcionário de Youssef; João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, operador de contas de Youssef no exterior, e Maria Cristina Mazzei de Almeida Prado, mulher de Procópio.

  • Imagem: Evaristo Sá/AFP
    Imagem: Evaristo Sá/AFP

    Família de Paulo Roberto Costa

    Também já fizeram delações as filhas de Costa, Shanni e Arianna Azevedo Costa Bachmann, a mulher, Marici, e os genros Márcio Lewkowicz e Humberto Sampaio de Mesquita.

  • Imagem: Zia Mazhar/AP
    Imagem: Zia Mazhar/AP

    Operadores financeiros

    Também se tornaram delatores Rodrigo Morales, Roberto Trombeta, Mário Frederico de Mendonça Góes e Fernando Antonio Guimarães Hourneaux de Moura.

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