Ainda confusa, sucessão no governo de DF deve ficar entre PT e Joaquim Roriz (PSC)

Camila Campanerut

Do UOL Notícias<br>Em Brasil

Apesar de ainda nebuloso, o cenário para a sucessão do governo do Distrito Federal aparenta se construir entre um candidato do PT e Joaquim Roriz (PSC), que já foi quatro vezes governador do DF e é acusado de ter iniciado o suposto esquema de propinas - seguido pelo governador afastado e preso, José Roberto Arruda, conhecido como “mensalão do DEM”.

Dentro do PT, a disputa promete ser grande. De um lado, o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz já trabalha há um ano e meio nas articulações para se candidatar ao governo do DF. “Na prévia do dia 21 de março, é quando vamos decidir. Nós tínhamos feito um acordo e a quebra dele vai atrasar, em quase um mês, a definição do partido”, explica o ex-presidente do Diretório Regional do PT, Chico Vigilante.

O “acordo” a que Vigilante se refere foi a designação combinada entre os correligionários com Agnelo como candidato ao governo e o deputado Geraldo Magela, que pleitearia um vaga no Senado. Magela, no entanto, mudou de ideia após a crise no GDF.

“Ele achava Arruda imbatível e, agora, quer se apresentar nas prévias. Foi quebra de acordo”, alega Vigilante. O deputado petista se defende. “A partir da crise, fui procurado por pessoas de vários segmentos me pedindo para representá-los e estou pré-candidato".

"Posso garantir que 70, 75% dos votos devem ser de Agnelo.”, alfinetou Vigilante.

Apesar da divergência interna, as lideranças da legenda concordam que o único concorrente de fôlego contra o PT seria Roriz. “Apesar de tudo, ele é um candidato forte e principal concorrente do PT”, avalia Magela.

Dentro da base aliada do governo federal, destacam-se dois senadores, que em vez da reeleição poderiam ser destacados em suas legendas para ocupar a chefia do Executivo do DF. São eles: Gim Argello (PTB) e Cristovam Buarque (PDT). A bancada petista já expressou que o DF será uma das prioridades do partido neste pleito e pretende fortalecer a aliança com outros partidos, já estabelecida em torno da candidatura à presidência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

“Roriz é o pai de tudo isso que se descobriu com as denúncias contra Arruda. Quem montou o esquema [de mensalão] foi Roriz, quem perpetuou foi Arruda”, destaca Vigilante.

Nesta última semana, passaram a ser veiculadas em cadeia de rádio e TV mensagens de Joaquim Roriz comentando a crise em Brasília. "É tão vergonhoso, é tão escandaloso, (...) como pode chegar nisso aí? (...) A Justiça vai punir, (...) Então, eu fico... Por um lado, eu fico com profunda decepção, por outro, cheio de esperança que a Justiça cumpra seu dever”, diz em um dos programas.

Contudo, Roriz ignora o fato de ser sido citado pelo delator da Operação Caixa de Pandora, o ex-Secretário Durval Barbosa, de que o esquema de recebimento de propina e arrecadação ilegal de recursos já existia na campanha de Roriz, em 2002.

Com a crise do governo de Arruda, a direção do diretório regional do DEM foi dissolvida. Ficou a cargo do senador Marco Maciel (PE) formar uma comissão composta por filiados sem envolvimentos com os últimos escândalos políticos, para assim melhorar a imagem da chapa em relação ao seu eleitorado. “Não há mais ninguém do DEM que possa assumir o governo do DF”, definiu o presidente nacional da legenda, o deputado federal Rodrigo Maia (RJ).

A situação incerta de Brasília também ajudou a frear o posicionamento dos tucanos na região, que faziam parte da base aliada de Arruda.“O PSDB não tem política orientada no DF. A gente não está cuidando disso ainda. Vamos tratar disso com um pouco mais de calma na próxima semana”, prometeu o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra. O diretório regional tucano também foi afetado com a crise no DF. O presidente regional, Márcio Machado, saiu em dezembro do ano passado do cargo, após ser ter citado em documentos que remetiam à caixa 2 de campanha, obtidas por meio de buscas pela Polícia Federal.

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