Cientista político prevê candidatos a vice "esmagados" por presidenciáveis em 2010

Rafael Spuldar

Do UOL Notícias <BR> Em São Paulo

Alguns dos políticos cogitados como candidatos a vice-presidente nas eleições de outubro poderão fazer alguma diferença na disputa somente se ela for equilibrada até o final, opina o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio. No entanto, ele acredita que esses nomes serão "esmagados" pela imagem dos titulares das chapas, seguindo o que ele classifica como uma "tendência histórica" na política brasileira. Já o cientista político Rogério Schmitt, do Centro de Liderança Pública (CLP), vê a figura do candidato a vice como estratégica durante a campanha, podendo agregar desde potenciais financiadores até mais tempo de propaganda eleitoral.

Ismael afirma que a cultura "presidencialista" das eleições no Brasil acaba por apagar a figura do vice-presidente, que acaba sendo decisiva apenas para uma parte muito pequena do eleitorado. "O olhar é para o presidente, as comparações são feitas com ele, ele é quem debate mal ou bem, é ele quem vai empolgar e incendiar o eleitor", diz. O professor da PUC-Rio só crê que o vice-presidente pode fazer alguma diferença se a eleição for decidida "no detalhe".

Já Schmitt vê os candidatos a vice como mais importantes no período de campanha do que durante o mandato, quando eles, depois de eleitos, assumiriam uma condição apagada. O cientista político da CLP destaca ainda o valor ideológico que o vice tem na campanha: se o candidato principal é conservador, o companheiro de chapa geralmente acaba sendo mais progressista, e vice-versa.

Ambos os cientistas políticos consideram o fator geográfico como importante na hora de definir os candidatos a vice-presidente, ou seja, o critério de escolher um político para agregar votos em uma região onde o titular da chapa não tenha penetração. Neste sentido, Ricardo Ismael e Rogério Schmitt destacam o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o ex-governador da Bahia Paulo Souto (DEM), ambos cotados para a vice-presidência de José Serra (PSDB), como tendo condições de ampliar a votação do candidato a presidente em seus domicílios eleitorais.

No caso da candidatura governista, Ismael não vê o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP) – nome indicado por seu partido como companheiro de chapa da petista Dilma Rousseff – como um agregador "geográfico" de votos. Segundo ele, o peemedebista não empolgaria os eleitores de seu Estado de origem, onde a atual ministra-chefe da Casa Civil sofre desvantagem nas pesquisas frente a Serra. Para o cientista político, Temer, na condição de presidente do PMDB, seria um elemento importante somente para levar o partido a apoiar Dilma em Estados onde a aliança é complicada.

Outro nome do PMDB cogitado para vice de Dilma, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, seria, na opinião de Ricardo Ismael, uma escolha equivocada. Para o cientista político da PUC-Rio, "passou o momento" do PT escolher para a vice-presidência figuras que tenham uma imagem melhor junto ao mercado, pelo fato do próprio partido ter ficado mais ao centro. Além disso, segundo Ismael, falta "densidade eleitoral" a Meirelles. "O eleitor médio não sabe que Meirelles é responsável pelas reservas cambiais, pelo controle da inflação. Para esse eleitor, é Lula quem agrega todas essas informações", diz.

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), outro nome levantado como possível vice de Serra, também seria uma opção errada, na opinião tanto de Ricardo Ismael quanto de Rogério Schmitt. Ambos concordam que, embora ela se destaque por sua atuação no Senado, a parlamentar se encontra ainda em um estágio muito inicial da carreira política, além de ser ligada ao agronegócio, um setor que não atrai muitos eleitores. Schmitt acredita, no entanto, que Abreu possa atrair financiadores para a campanha de Serra – mesmo caso do presidente da Natura, Guilherme Leal, cotado para ser companheiro de chapa da candidata do PV, Marina Silva. Segundo o cientista político da CLP, a escolha de Leal seria pragmática, para atrair o empresariado. "Certamente os eleitores não vão votar na Marina pelo presidente da Natura; será pela visibilidade que ela teve como ministra, senadora e ativista", afirma.

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