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"Trótski de direita", diz ex-comandante do Exército sobre ataques de Olavo

11.jan.2019 - General Eduardo Villas Bôas em sua despedida do comando do Exército - 11.jan.2019
11.jan.2019 - General Eduardo Villas Bôas em sua despedida do comando do Exército Imagem: 11.jan.2019

Do UOL, em Brasília

06/05/2019 11h39Atualizada em 06/05/2019 16h45

Em meio às disputas internas do governo Jair Bolsonaro, o ex-comandante do Exército, general Villas Boas, criticou o escritor Olavo de Carvalho. O militar disse que o autodenominado filósofo é um verdadeiro "Trótski de direita" e que "age no sentido de acentuar as divergências nacionais".

Além da referência ao revolucionário Leon Trótski, um dos comandantes da Revolução Russa, Villas Boas disse que Olavo de Carvalho, "a partir de seu vazio existencial", "não compreende que substituindo uma ideologia pela outra não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros".

Ao longo do final de semana, duas alas que compõem o governo entraram em conflito e dispararam publicações pelas redes sociais. Os olavistas, como são conhecidos os seguidores do escritor conservador, fizeram posts contra a regulação de mídia. Os ataques são dirigidos ao general Santos Cruz (Secretaria de Governo), que, em entrevista à rádio Jovem Pan, em abril, disse que é necessário evitar distorções nas redes sociais.

O presidente Bolsonaro também descartou "qualquer regulação de mídia".

Santos Cruz comanda a Secretaria de Governo e tem sob sua responsabilidade questões relativas a propaganda governamental e controle dos veículos oficiais, como a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).

Villas Boas é ex-comandante do Exército e hoje atua no GSI (Gabinete de Segurança Institucional), junto ao chefe do órgão, general Augusto Heleno.

Olavo de Carvalho escreveu que "Santos Cruz é apenas uma bosta engomada". Os confrontos pelas redes sociais geram divergências entre os bolsonaristas no Congresso.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) trocou mensagens via Twitter com Olavo de Carvalho e perguntou se o escritor não percebia "o mal que está fazendo", criticou o "egoísmo" e afirmou que esses "ataques estão provocando uma rachadura na direita".

Já o deputado Marco Feliciano (Pode-SP), um dos líderes da bancada evangélica, disse nesta segunda-feira que Santos Cruz, "ao defender o absurdo de controlar as redes sociais (...) mostra todo o seu viés antidemocrático" e pediu a saída do ministro. Feliciano é próximo a Bolsonaro e já pediu o impeachment do vice Hamilton Mourão (PRTB), a quem disse conspirar contra o governo.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado na reportagem, Leon Trótski nasceu na Ucrânia. O texto foi corrigido.

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