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Congresso não aceita tudo do governo porque aqui não é Venezuela, diz Maia

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

14/05/2019 12h22

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse hoje que o Parlamento brasileiro não "aceita tudo o que o presidente da República coloca" porque o Brasil, "graças a Deus", não é a Venezuela, ao comentar a tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

As declarações foram dadas durante evento do banco BTG Pactual em Nova York (EUA) que discute economia brasileira.

Ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), Maia afirmou que partes mais radicalizadas da sociedade não querem construir um diálogo sobre a reforma da Previdência porque querem que as suas próprias ideias sejam executadas, citando a parcela mais à extrema-direita, que segundo ele enxerga o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) como seu representante.

"Por que o Parlamento não aceita tudo o que o presidente da República coloca, já que ele foi eleito presidente da República? (...) É porque a gente não vive na Venezuela, a gente vive no Brasil", disse. E acrescentou: "É um pouco diferente, graças a Deus, o nosso sistema, porque aquele é o sistema de um país que não é democrático".

Maia disse ainda que o presidente enfrenta dificuldades para construir a sua base no Congresso por causa do núcleo que o elegeu.

"O presidente foi eleito com uma agenda, com o compromisso com esse núcleo dele de votos, e a todo momento que o presidente tenta organizar a sua base para votar a Previdência, há uma instabilidade, porque esses movimentos consideram muitas vezes que o presidente ganhou, presidente levou. E na democracia não é assim", disse.

"Ninguém é dono da verdade absoluta e que não existem vitórias absolutas na democracia", declarou.

Para ele, a extrema-direita está no governo e até agora não foi possível entender qual a agenda dela para o Brasil e isso tem atrapalhado a tramitação da reforma. "O deputado vai votar uma matéria como a reforma da Previdência e que entender como essa votação vai gerar impacto na melhoria da qualidade de vida dos seus eleitores", disse.

Se governo não age, o Parlamento vai agir

Alcolumbre usou uma analogia sobre médico e diagnóstico para falar sobre como anda a tramitação da reforma da Previdência no Congresso. Segundo ele, na Câmara e no Senado, existe o sentimento de que é preciso formar um consenso sobre a questão.

"Não podemos nos furtar. Caso médico não participe ativamente, já que ele já sabe o diagnóstico, que é governo, o Parlamento vai ter que se debruçar sobre essa causa, porque ela já está diagnosticada. A gente precisa resolver esse problema", afirmou.

A retirada do benefício assistencial para idosos (BPC) da reforma, segundo os presidentes das Casas legislativas, é uma prova dessa conversa. "Quando a gente decide, e nós decidimos isso, né Alcolumbre, tirar o BPC da Previdência nós tomando a seguinte decisão: vamos garantir mais recursos para os mais idosos e vamos ter menos recursos para as nossas crianças. (..) É uma decisão da sociedade, mas esse debate precisa ser feito", disse Maia.

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