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CPI, apoio a Bolsonaro e frases fortes: as polêmicas de Romário no Senado

Romário é senador desde 2015 - Waldemir Barreto/Waldemir Barreto/Agência Senado
Romário é senador desde 2015 Imagem: Waldemir Barreto/Waldemir Barreto/Agência Senado

Giovanna Galvani

Do UOL, em São Paulo

03/06/2022 15h37Atualizada em 03/06/2022 15h37

O senador Romário (PL-RJ) se viu envolvido em uma briga ontem, quando discutiu com o senador Paulo Rocha (PT-PA) no Plenário do Senado. Colegas dos senadores precisaram apartar os dois após um desentendimento envolvendo o projeto de lei que regulamenta o Conselho Federal de Educação Física e os respectivos conselhos regionais.

Posteriormente, ambos afirmaram não ter "nada contra" o outro, mas essa não foi a primeira vez que o parlamentar e ex-jogador vê seu nome associado a polêmicas no campo político — já que, no campo de futebol, Romário também era conhecido por ter ânimos quentes.

Atualmente, o senador tenta a reeleição ao cargo, ao qual chegou em 2015 após passagem pela Câmara dos Deputados. A última pesquisa Ipec, de maio, mostrou Romário com 29% das intenções de voto no cenário com mais nomes testados pela sondagem.

Apoio a Bolsonaro

O senador declarou-se apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) para as eleições 2022, e também disse que o candidato do presidente ao Senado é ele. Críticos do presidente repercutiram negativamente o apoio do ex-jogador — que já foi deputado pelo PSB.

"Antes de Bolsonaro, nosso país estava uma m**** do c******", disse Romário em entrevista a um canal de Youtube em 11 de outubro de 2021. Já em abril de 2022, o ex-jogador afastou a hipótese de Bolsonaro apoiar o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PRTB-RJ) ao cargo, justificando a escolha pelo partido, PL, o mesmo para ambos.

"O candidato do Bolsonaro ao Senado no Rio sou eu. O presidente está filiado ao PL. Eu estou filiado ao PL. Daniel Silveira tem o direito de pretender receber o apoio, mas não acredito que o presidente vá fazer isso", afirmou.

Em maio, Romário encontrou-se com o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o que também gerou uma nova onda de críticas ao senador. "Foi um papo muito produtivo, pois falamos sobre o nosso estado e, principalmente, sobre saúde", escreveu nas redes ao publicar uma foto do encontro.

Dívidas ativas

Mesmo buscando a reeleição, Romário (PL) possui dívidas registradas com a União e o governo carioca que chegam a R$ 2,5 milhões, reportou o colunista Diego Garcia, do UOL. Apesar da Justiça procurar bens penhoráveis para abater do valor devido, o tetracampeão com a seleção brasileira não tem nada em seu nome, constatou a Justiça do Rio de Janeiro.

De acordo com registro em seu nome na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Romário deve R$ 1.758.614,02. Por conta do sigilo fiscal, a União não revela a natureza da dívida. Ela apenas é classificada como "demais débitos tributários" e detalha as quantias exatas devidas.

O senador, que tentará a reeleição em outubro, ainda possui mais R$ 661.548,43 em dívidas com o Estado do Rio, em nome do Café Onze Bar e Restaurante, que o tem como um dos sócios. No momento, existem dois protestos de R$ 177.496,35 cada em nome do local.

Ao UOL, Romário afirmou, por meio da assessoria, que outras dívidas listadas já foram pagas - sem especificar quais -, porém ainda não foram atualizadas nos registros. E acrescenta que as demais cobranças não são reconhecidas.

Desentendimento com Milton Ribeiro

Outro episódio envolvendo opiniões do senador foi direcionado ao ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Após o chefe da pasta afirmar, em agosto de 2021, que crianças com deficiência "atrapalham" o desenvolvimento de outros estudantes na mesma sala, Romário chamou-o de "imbecil".

"O ministro da Educação faltou a muitas aulas, deixando a imbecilidade tomar o lugar da inteligência e da humanidade", escreveu Romário — que é pai de uma menina com síndrome de Down.

CPI do Futebol e CBF

Já como senador, Romário foi titular, em 2016, da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Futebol. O Senado buscava investigar contratos e negociações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e seus dirigentes.

Suspeitas envolvendo a chefia da maior entidade de futebol do país vieram a tona após a prisão de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e de outros integrantes da Fifa. Houve condenações pela participação em um esquema de corrupção que movimentou US$ 150 milhões em 20 anos.

"Corruptos e ladrões que fazem mal ao futebol foram presos, inclusive José Maria Marin. Ladrão tem que ir para cadeia. Parabéns ao FBI. Infelizmente não foi a gente quem prendeu", disse na época. O senador também chamou de "ladrão, safado e ordinário" o então presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

Romário chegou a apresentar um relatório paralelo do oficial da CPI da CBF, que incluía o pedido de indiciamento de nove pessoas, como Marco Polo Del Nero, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, também ex-dirigente da Confederação. A sugestão, no entanto, não foi acatada.

"P* nenhuma para fazer"

Ainda como parlamentar da Câmara dos Deputados, o ex-jogador criticou o andamento de processos na casa ao dizer que não tinha "p****" nenhuma para fazer em Brasília no começo do ano regimental. "Espero que na minha próxima vinda a Brasília tenha alguma p**** pra fazer. Ou será que o ano realmente só vai começar depois do Carnaval?", afirmou na ocasião, em 2012.