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Médico cubano é contaminado com ebola em Serra Leoa

Ladyrene Perez, Cubadebate/AP
A enfermeira cubana Dalila Martinez, que treinou a equipe médica cubana que trabalhava para conter o surto de ebola em Serra Leoa, entra em uma das tendas do campo de treinamento montado em Havana, Cuba. Um dos integrantes da equipe, que conta com 165 médicos e enfermeiros, foi contaminado com o vírus. O Dr. Felix Baez Sarria, um especialista em medicina, apresentou febre alta e, no dia seguinte, foi diagnosticado com ebola Imagem: Ladyrene Perez, Cubadebate/AP

Em Freetown

2014-11-19T20:27:00

19/11/2014 20h27

Um médico cubano foi contaminado com o vírus ebola em Serra Leoa e será levado para Genebra, anunciou nesta quarta-feira (19) o chefe da delegação de Cuba, país que enviou um grupo de 165 profissionais da Medicina ao país africano para combater a epidemia.

O doutor Félix Báez Sarría, de 43 anos, "encontra-se em bom estado e atualmente está no centro de tratamento da Cruz Vermelha em Kerry Town", perto da capital, Freetown, anunciou à AFP o doutor Jorge Delgado Butillo.

Um comunicado do Ministério cubano da Saúde confirmou em Havana que Báez estava sendo tratado por médicos ingleses em Kerry Town.

Báez faz parte do contingente de 165 agentes de saúde, entre médicos e enfermeiros, que Cuba mandou para Serra Leoa.

O médico contagiado "começou a ter febre no domingo, mas sem nenhum outro sintoma", disse Delgado Butillo.

"Foi transferido rapidamente" para Kerry Town, onde o exame para o vírus "deu positivo", disse Delgado Butillo, também diretor adjunto da Cooperação Médica Internacional de Cuba.

"Não temos nem ideia por enquanto de como pôde se contagiar", disse. "Mas o mais importante é levá-lo para Genebra, rapidamente", acrescentou.

"É um homem forte de 43 anos. Seu estado não é crítico. Tenho certeza de que vai se curar", afirmou.

Em Havana, o filho do médico, Alejandro Sáez, pediu, em mensagem publicada no portal cubano Cubasí (www.cubasi.cu), que o pai seja forte e agradeceu as atenções que têm recebido.

"Papai, seja forte, tudo vai ficar bem. Aqui, toda Cuba estará esperando por ti", escreveu o menino.

"Quero agradecer a todos que, de uma forma ou de outra, incentivam e dão esperanças à nossa família e ao meu pai. Quero reconhecer, também, as autoridades de saúde que tornaram possível que meu pai começasse a receber cuidados médicos tão cedo e o transferissem a Genebra para ser atendido com todos os recursos", acrescentou.

O contingente cubano chegou no começo de outubro a Serra Leoa, onde o ebola matou quase 1.200 pessoas.

Cuba também enviou profissionais para Libéria e Guiné. Neste último país, um responsável administrativo morreu de malária em 27 de outubro. A vítima foi enterrada em Conakry em 1º de novembro.

Os cubanos começaram a seguir para o oeste de Serra Leoa, para Kerry Town, junto da Cruz Vermelha, para Hastings e, em breve, para Port Loko, a nordeste de da capital Freetown.

Segundo Delgado, que chefia a missão, as equipes médicas foram treinadas para tratar pacientes afetados pelo vírus e para trabalhar com Equipamentos de Proteção Individual (EPI), sob temperaturas de trinta graus.

"Nossos médicos e enfermeiras sabem colocar intravenosas e vacinar, mas o ebola é algo novo para nós", disse Delgado.

O idioma representou uma barreira para as equipes cubanas, já que o inglês é a língua oficial de Serra Leoa, embora a maioria da população fale o krio, uma língua local.

"É certo que nosso nível de inglês não é bom", disse Delgado, sorrindo. "Mas a OMS organizou cursos para nós e, em alguns meses, as coisas sairão melhor", acrescentou.

Desde o envio de um primeiro contingente de 57 médicos para a Argélia em 1963, a pedido do governo argelino, Cuba mantém uma tradição de intervenções médicas no exterior.

Na África, equipes médicas cubanas ajudaram Angola e Moçambique durante suas respectivas guerras civis.

Os médicos cubanos, muito presentes na Nicarágua durante a revolução sandinista, estão mobilizados em muitos outros países.

"Tínhamos, inclusive, uma pequena missão em Serra Leoa há três anos com uma brigada de 24 pessoas envolvendo dermatologistas, pediatras, ginecologistas e enfermeiros, que intervinha em todo o país", revelou Delgado.

"Vamos continuar trabalhando, não temos medo. Isto nos deixará mais prudentes ainda", concluiu Delgado ao falar de Báez.

O número de mortos na epidemia de ebola chegou a 5.420 em oito países da África, de um total de 15.145 infectados pelo vírus, segundo um balanço atualizado da Organização Mundial da Saúde, publicado nesta quarta-feira.

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