Vermífugo para solitária se mostra promissor contra vírus da zika

  • André Penner/AP

    Vírus da zika causa microcefalia e outros danos em bebês

    Vírus da zika causa microcefalia e outros danos em bebês

Um vermífugo utilizado para tratar a tênia, verme também conhecido como solitária, seria capaz de bloquear a propagação da zika, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Medicine, uma descoberta que pode acelerar o desenvolvimento de um tratamento contra o vírus.

"É uma primeira etapa em direção a um tratamento capaz de frear a transmissão da doença", afirmou Hengli Tang, professor da Universidade do Estado da Flórida (FSU), nos Estados Unidos, que dirigiu o estudo.

Os pesquisadores americanos fizeram uma seleção rigorosa entre seis mil moléculas já aprovadas nos Estados Unidos e que são objeto de testes clínicos.

"Nos concentramos nas moléculas mais próximas a uma utilização clínica", explica Tang.

Durante trabalhos realizados em laboratórios com células infectadas pelo zika, os pesquisadores descobriram duas classes de substâncias, uma capaz de bloquear a multiplicação do vírus e a outra de impedir a morte dessas células.

A primeira categoria inclui a niclosamida, a substância ativa de medicamentos comercializados há meio século para o tratamento da tênia.

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Na segunda classe se encontra o emricasan, um tratamento experimental para fibrose hepática, atualmente objeto de testes clínicos.

As duas classes de substâncias se mostraram eficazes antes e depois da exposição ao zika, e com benefícios importantes quando foram utilizadas de maneira conjunta.

Apesar da niclosamida ser bem tolerada e não apresentar riscos para o feto, de acordo com estudos feitos com animais, os pesquisadores não a recomendam para mulheres grávidas.

"Ainda não há provas de que a niclosamida seja eficaz. Estudos com animais seguidos de testes clínicos ainda são necessários", indicou à AFP Hongjun Song, um dos coautores do estudo.

Em relação ao emricasan, este ainda deve "seguir o processo normal de desenvolvimento dos medicamentos, e isso ainda vai levar algum tempo", acrescentou.

Não existe nenhuma vacina nem tratamento contra a zika, que causa sintomas brandos como erupção cutânea, dor articular e infecção ocular. Em 80% dos casos, a infecção passa despercebida.

No entanto, o vírus é particularmente perigoso para as mulheres grávidas, visto que pode causar danos permanentes ao feto em desenvolvimento, incluindo a microcefalia, uma má-formação congênita que faz com que os bebês nasçam com a cabeça anormalmente pequena e que prejudica o desenvolvimento cerebral.

A zika pode provocar também transtornos neurológicos em adultos, como a síndrome de Guillain-Barré, que afeta os nervos periféricos e pode provocar uma paralisia progressiva.

Transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, mas também por contato sexual, o vírus provocou no ano passado uma epidemia que se espalhou rapidamente pela América Latina.

O Brasil, o país mais afetado, já registrou cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas e mais de 1.700 casos de recém-nascidos com microcefalia.

A niclosamida poderia ser utilizada não só em mulheres grávidas, mas também "para reduzir a carga viral entre os homens e as mulheres não grávidas, o que reduziria a transmissão do zika e poderia, além disso, evitar casos de síndrome de Guillain-Barré e outras complicações entre os humanos", segundo os pesquisadores.

"Nossas descobertas e as ferramentas que provemos devem fazer avançar de maneira significativa a pesquisa atual sobre o zika, e ter um efeito imediato sobre o desenvolvimento de tratamentos" contra o vírus, concluem os cientistas.

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