Como a zika roubou a cena em cúpula latino-americana

Ruth Costas

Enviada especial da BBC Brasil a Quito, Equador

O problema da rápida disseminação do zika virus roubou a cena na quarta Cúpula da Comunidade Latino-Americana e do Caribe (Celac), que reuniu representantes de 33 países da região em Quito, no Equador.

Inicialmente, o tema não estava previsto na agenda oficial do evento. Tanto que Ministros de Saúde não fizeram parte das comitivas que acompanharam os presidentes e primeiros-ministros no encontro.

Na segunda-feira, porém, quando a Organização Mundial da Saúde fez um alerta de que o zika deve se espalhar por todo o continente americano, cresceram as apostas de que os líderes regionais anunciariam alguma medida para lidar com o problema.

Três decisões foram tomadas a partir daí.

Primeiro, que será organizado um encontro entre Ministros da Saúde da Celac "para que possamos compartilhar experiências e informação", como explicou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.



Segundo, que o combate ao zika vírus deve ser debatido em uma reunião do Mercosul, marcada para esta terça-feira, e para a qual também teriam sido convidados integrantes da Celac, de acordo com a presidente brasileira, Dilma Rousseff.

Terceiro, que haverá mais colaboração em pesquisas e mais troca de experiências sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite o zika vírus.

"Esse é um fenômeno novo sobre o qual não há muita informação ou experiência, por isso quanto mais colaboremos, mais eficientes seremos em conter essa epidemia", disse Santos.

Disseminação

A zika provoca sintomas parecidos com os da dengue, porém mais brandos: febre, dor de cabeça e no corpo e manchas avermelhadas.

Sua disseminação causa grande preocupação porque foi confirmada pelo Ministério da Saúde brasileiro a relação entre o vírus zika e a microcefalia, uma má-formação do cérebro de bebês.

"Todos estamos sendo afetados ou poderíamos ser afetados (pelo zika). No caso colombiano (o problema) abarca mais de 170 municípios e 14 mil pessoas. E o cálculo é que se continuar crescendo nesse ritmo, no ponto máximo o zika poderia afetar cerca de 600 mil pessoas", disse Santos.

Dilma diz que partiu dela a iniciativa de colocar o tema em discussão na Celac.

"Na minha intervenção propus que nós tivéssemos também uma ação de cooperação no combate ao zika vírus", disse.



"Vários países da região têm grande experiência no combate à dengue porque a dengue é típica de países tropicais ou subtropicais como os nossos( ...) O que eu propus é que nós nos uníssemos em torno desse combate."

A presidente brasileira disse, inclusive, que estaria "pensando seriamente" em ir à reunião do Mercosul (de nível ministerial) que tratará sobre o problema, em função de sua importância.

"Vamos todos fazer um esforço, vamos cooperar também na área de pesquisa científica e tecnológica (para o combate ao zika). Nós sabemos que a única forma de cooperar agora é difundirmos entre nós (países latino-americanos) as melhores práticas e tecnologias de combate ao vírus."

Nas Américas, 21 países já foram afetados pelo zika, embora o Brasil seja, até o momento, o mais afetado, com mais de 3 mil casos suspeitos.

Em países como Colômbia, El Salvador, Equador e Jamaica, as autoridades chegaram a pedir que mulheres não engravidassem, por medo de um aumento de casos de microcefalia.



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