Brasil e Argentina concorrerão juntos a dinheiro da UE para zika, diz ministro

Marcia Carmo

Da BBC Brasil, em Buenos Aires

  • Elza Fiúza/Agência Brasil

    "Os dois países têm longa tradição na produção de vacinas. Juntos teremos mais chances", disse Pansera

    "Os dois países têm longa tradição na produção de vacinas. Juntos teremos mais chances", disse Pansera

O ministro brasileiro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, anunciou em Buenos Aires que Brasil e Argentina apresentarão juntos uma proposta para concorrer a recursos oferecidos pela União Europeia (UE) para financiar pesquisas no combate à zika. 

Na semana passada, a União Europeia anunciou que destinará 10 milhões de euros (cerca de R$ 43 milhões) para pesquisas sobre o Aedes aegypti e a disseminação do vírus da zika.

Pelo telefone, quando já estava a caminho do aeroporto internacional de Ezeiza, para retornar à Brasília, ele disse que os dois países combinaram que apresentarão um projeto conjunto à UE assim que for divulgado, em março, o edital para o financiamento da pesquisa.

A Argentina é um país com longa tradição na área de pesquisa, com dois prêmios Nobel em medicina e um Nobel em química.

O ministro sugeriu que, juntos, os países serão mais fortes tanto no avanço da ciência quanto na captação de recursos internacionais.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - Ministro, por que Brasil e Argentina pedirão recursos conjuntamente para pesquisa sobre zika?

Celso Pansera - Os dois países têm longa tradição na produção de vacinas, são cientificamente maduros e dispõem de cientistas e de infraestrutura para desenvolver pesquisas sobre a doença. E acredito que juntos teremos mais chances.

A Comissão Europeia apresentará o edital em março disponibilizando dez milhões de euros para pesquisa da zika. Já em abril apresentaremos a proposta conjunta, em maio devemos ter uma resposta e em junho os recursos deverão ser liberados.

BBC Brasil - Por que Brasil e Argentina receberiam os recursos? Por ser o Brasil um dos países com maior número de casos da doença?

Pansera - Pela infraestrutura que temos na área de ciência e tecnologia e porque o Brasil acumulou informações sobre o vírus. E juntos, Brasil e Argentina, podemos fazer pesquisas sobre vacinas contra a zika.

BBC Brasil - Desses dez milhões de euros, quanto vocês esperam receber?

Pansera - Nós vamos apresentar o valor no projeto, e a Comissão Europeia vai avaliar e dizer o potencial da nossa proposta.

BBC Brasil - A proposta de ação conjunta de Brasil e Argentina se limita à União Europeia? O senhor antes citou o interesse em conseguir financiamento dos Estados Unidos...

Pansera - Se os Estados Unidos apresentarem edital com financiamento para pesquisa da zika também vamos apresentar proposta conjunta. A comunidade científica internacional está preocupada e juntos podemos ter importantes avanços. Além disso, o Brasil também anunciará em breve um conjunto de iniciativas e lançaremos editais, provavelmente em março, com recursos públicos e editais específicos com o mesmo objetivo de avançar para combater à zika. E comentamos com os argentinos para que também apresentem propostas.

BBC Brasil - Ministro, a zika e o fato de crianças estarem nascendo com microcefalia reabriu o debate sobre o aborto no Brasil. Qual é a sua opinião?

Pansera - O Brasil tem legislação sobre isso, e como integrante do governo opino que é seguir a legislação. E qualquer discussão deve ser levada ao Congresso.

BBC Brasil - Ministro, como o senhor vê a crise no Brasil?

Pansera - Essa crise está se enfraquecendo. Vai passar. Nós estamos fazendo governo.

BBC Brasil - Mas o que o senhor opina sobre as notícias de hoje no Brasil? Sobre a prisão do (João) Santana e sobre as informações envolvendo o ex-presidente Lula?

Pansera - Nós estamos fazendo governo e essas coisas tendem a se resolver nos próximos meses.

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