OMS vê risco de intensificação do surto de febre amarela

Marina Wentzel - De Basiléia (Suíça) para a BBC Brasil

A Organização Mundial de Saúde passou a considerar o estado de São Paulo como área de risco para a febre amarela e recomendou a vacinação para todos os viajantes internacionais que passarem pelo estado, inclusive regiões costeiras e metropolitana.

A representação da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) no Brasil afirmou à BBC Brasil que a OMS tomou essa decisão por conta da gravidade da doença e do aumento na ocorrência de casos. A Opas vê as epizootias (mortes de macacos) na região de São Paulo como um sinal de intensificação de risco e por esse motivo emitiu o alerta.

A organização também considera estender o alerta a outras regiões do Brasil, se novos casos aparecerem, e está monitorando a situação com interesse.

"A determinação de novas áreas consideradas de risco de transmissão de febre amarela e com recomendação de vacina é um processo contínuo", afirmou em comunicado. A última mudança no status do Brasil foi registrada em abril de 2017.

A recomendação de vacinação já é válida para viajantes internacionais que visitem estados das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, Minas Gerais e Maranhão, além de partes dos estados da região Sul, Bahia e Piauí.

"A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) avalia que a medida mais importante para prevenir a febre amarela é a imunização. Quem vive ou se desloca para as áreas de risco deve estar com as vacinas em dia e se proteger de picadas de mosquitos", recomenda.

Ministério da Saúde

Consultado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde afirmou que "mantém a estratégia definida pelo estado de São Paulo para vacinação da população contra a febre amarela". Segundo a pasta, as áreas de vacinação foram determinadas "de acordo o acompanhamento da circulação do vírus, baseada no mapeamento epidemiológico das regiões. A vacinação está sendo intensificada nas áreas com risco de infecção pela doença."

"A Organização Mundial de Saúde (OMS) ampliou, nesta terça-feira (16), a orientação aos viajantes internacionais que vêm ao estado de São Paulo. Como não há possibilidade de prever os deslocamentos internos desses viajantes, trata-se de uma medida ampliada de cautela", diz a nota.

"O Ministério da Saúde reforça que as áreas determinadas para vacinação no país permanecem as mesmas e que as medidas de prevenção, como intensificação da vacinação e fracionamento de doses, também continuarão sendo realizadas e atualizadas conforme as necessidades."

Atualmente, toda a região Sul e quase todo o Sudeste têm recomendação permanente de vacinação por parte do Ministério, além de partes dos Estados da Bahia e do Piauí. Desde o último surto, em 2017, o Espírito Santo tornou-se área de recomendação temporária.

Atualmente, a vacinação para febre amarela é recomendada e oferecida em 21 Estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O país recomenda, mas não exige a vacina para viajantes estrangeiros. A OMS também diz que a vacina é uma recomendação.

Risco endêmico

O vírus da febre amarela é considerado endêmico em áreas tropicais do continente africano e nas Américas Central e do Sul. A OMS recomenda que seja tomada uma dose padrão da vacina, o que é suficiente para garantir imunidade e proteção para toda a vida.

O Brasil terá, entre fevereiro e março, uma campanha de vacinação, porém com doses fracionadas. O objetivo do fracionamento é conseguir atender a um número maior de pessoas.

O efeito da dose menor, entretanto, é mais efêmero e tem um período de eficácia variável. Ainda faltam estudos que possam precisar em definitivo o tempo da proteção garantida, se cinco, oito, dez ou mais anos. De acordo com o Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, que produz a vacina no Brasil, a dose fracionada pode proteger as pessoas por até oito anos.

A vacina de dose padrão confere imunidade eficaz dentro de 30 dias para 99% das pessoas imunizadas.

"Não sabemos a extensão do que vai acontecer com a febre amarela neste ano e, por precaução, estamos regulando nosso estoque para eventual necessidade. Se surgirem outros focos em outros Estados, teremos condições de cobrir", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros a jornalistas na semana passada.

Até o momento o Brasil viveu o seu pior surto de febre amarela silvestre de dezembro de 2016 a julho de 2017. Foi o mais severo registrado desde 1980, mas a situação atual mostra-se preocupante - tanto que 75 municípios em São Paulo, Rio e Bahia estão dentro da nova campanha de imunização.

"Grandes epidemias de febre amarela ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas com alta densidade de mosquitos e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade devido à falta de vacinação", explicou o comunicado da organização.

"É nessas condições que mosquitos infectados transmitem com sucesso o vírus de pessoa para pessoa e agora o Brasil corre para impedir que um cenário potencialmente desolador se desenvolva."

A estratégia de compartilhamento das doses, apesar de não ser ideal, é recomendada pela Opas/OMS como uma "solução às necessidades eventuais de campanhas de larga escala".

Quando há um surto que ameaça a capacidade de abastecimento, por exemplo, e a doença pode se espalhar para áreas densamente povoadas rapidamente e isso deve tentar ser evitado a todo custo. "O fracionamento não tem a intenção de servir como estratégia de longo prazo nem de substituir as rotinas estabelecidas nas práticas de imunização" ressaltou a organização.

Febre Amarela

O nome "febre amarela" se refere ao sintoma da icterícia, quando a pele adquire coloração amarelada, apresentada por alguns pacientes da doença.

O vírus é transmitido por mosquitos infectados e causa febre hemorrágica. Os sintomas incluem dor de cabeça, dores musculares, náusea, vômitos e fadiga.

Uma pequena parte das vítimas chega a desenvolver sintomas graves, com insuficiência hepática e renal, que podem levar à morte. Entre os casos severos, aproximadamente metade deles resulta em morte num período de sete a 10 dias.

Os viajantes com contra-indicações para a vacina contra a febre amarela (gestantes, crianças abaixo de 9 meses ou lactentes, pessoas com hipersensibilidade grave à proteína do ovo e imunodeficiência grave) ou com mais de 60 anos devem consultar um médico para avaliar cuidadosamente a relação risco-benefício.

*Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em São Paulo.

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