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Cientistas usam movimento dos olhos para diagnosticar esclerose múltipla

Carlos García

28/10/2018 09h29

Guarda (Portugal), 28 out (EFE).- A esclerose múltipla pode ser diagnosticada através do movimento dos olhos, segundo as conclusões de um grupo de cientistas portugueses da Universidade do Minho que estudou a doença durante quatro anos.

Pela primeira vez ficou demonstrado que os movimentos dos olhos podem revelar alterações cognitivas em pessoas com esclerose múltipla, segundo explicou à agência Efe um dos sete pesquisadores do grupo, Paulo Alexandre Pereira, doutor em Matemática da Universidade do Minho.

As conclusões desta pesquisa, que acabam de ser publicadas na revista científica americana "PeerJ", serão de grande utilidade para escolher novos tratamentos, combater esta doença do sistema nervoso e aplicar novas técnicas ou tratamentos que atenuem o avanço da esclerose múltipla.

A hipótese surgiu da constatação de que os pacientes que sofrem esta doença podem ter problemas com o nervo ótico, razão pela qual os cientistas decidiram dar mais um passo e iniciar uma pesquisa mais exaustiva.

Os estudos se centraram em uma amostra de meia centena de pessoas da província portuguesa de Braga --onde está a universidade-- que têm esclerose múltipla e outras tantas que não sofrem a doença.

Por meio do uso de aparatos oftalmológicos foi comprovado que "os tempos de reação entre doentes e saudáveis eram bastante significativos", afirmou Paulo Alexandre Pereira.

Ficou corroborado, assim, que o tempo de reação para olhar para um lado ou outro era muito maior nos doentes. Desta maneira, os cientistas viram comprovada sua hipótese e puderam avançar em um dos objetivos finais, que é o barateamento e a efetividade do diagnóstico desta doença.

Atualmente, segundo Pereira, o primeiro diagnóstico de esclerose múltipla é realizado por meio de um exame de ressonância magnética, embora, em alguns casos, "possa haver confusão com outras dolências", o que não o torna confiável. Para complementar o exame se recorre à extração de líquido da medula espinhal mediante uma punção lombar.

O que pretendemos, embora ainda estejamos longe, é que os médicos de família possam ter aparelhos similares aos dos oftalmologistas para diagnosticar de forma confiável a esclerose múltipla.
Paulo Alexandre Pereira, pesquisador da Universidade do Minho

Em muitas ocasiões, o diagnóstico não é fácil e se passa muito tempo até que descubra a doença, algo que ficaria resolvido com este teste. Além disso, o médico de família poderia comprovar a evolução da doença no paciente e, assim, aplicar tratamentos mais adequados.

Embora já tenham alcançado uma fase importante da pesquisa, Paulo Alexandre Pereira antecipou à Efe que o grupo da Universidade do Minho continuará investigando o movimento dos olhos e dará mais um passo quanto ao diagnóstico, já que analisarão --em uma segunda fase-- a percepção que os pacientes de esclerose múltipla têm das cores.

"Por enquanto, não se sabe, mas acreditamos que também há uma relação entre a percepção das cores e a doença", ressaltou o cientista português.

A equipe multidisciplinar que trabalha neste projeto é formada pelos físicos, matemáticos, biólogos e médicos Marisa Borges Ferreira, Paulo Alexandre Pereira, Marta Parreira, Inês Sousa, José Figueiredo, João Cerqueira e António Filipe Macedo.

A esclerose múltipla, ainda sem cura, se desencadeia pela combinação de fatores ambientais, genéticos e infecciosos. Em nível mundial há 2,3 milhões de pessoas com esta doença e, em média, o diagnóstico costuma ser realizado aos 30 anos de idade.

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