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Órgãos de criança foram retirados durante autópsia

Fernanda Bassette

Em São Paulo

03/05/2012 13h36

Os pais do bebê Enzo Gabriel Balbino, que morreu com 1 ano e 2 meses após ser submetido a uma cirurgia cardíaca, assinaram um documento em que autorizavam o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia a fazer uma autópsia no corpo da criança para esclarecer as causas da morte.

A vendedora Josiane Angélica dos Santos, mãe do menino, registrou dois boletins de ocorrência de morte suspeita contra o hospital. Ela acreditava em erro médico e alegou que os órgãos do bebê haviam sido roubados.

O menino sofria de comunicação interatrial, uma doença grave que causa insuficiência cardíaca. Por isso, o menino foi submetido a uma cirurgia que deveria corrigir esse defeito.

"A cirurgia foi bem, mas a criança teve uma parada cardíaca no dia seguinte. A equipe é experiente e seguiu todos os protocolos de reanimação, mas, infelizmente, o bebê não resistiu", afirmou Ari Timerman, diretor médico hospitalar do hospital.

Autorização

O documento com a autorização da autópsia foi assinado por mais duas testemunhas. Nele está escrito que serão colhidos fragmentos dos órgãos e que todos os órgãos serão devolvidos ao corpo, exceto se houver necessidade de um estudo mais elaborado.

Segundo Timerman, como a criança tinha uma cardiopatia grave além de outras deformidades congênitas - como má-formação óssea e baixo peso para idade (pesava apenas 5,9 kg) -, o hospital retirou o coração, os pulmões e o cérebro para serem analisados mais profundamente.

Timerman explicou que o coração foi retirado para análise detalhada exatamente por causa da doença da criança. Os pulmões foram retirados porque sofreram consequências da insuficiência cardíaca e porque uma análise a olho nu apontou que eles eram diferentes. Por fim, o cérebro de Enzo foi retirado para que os peritos avaliassem alguma malformação neurológica.

Após a retirada dos órgãos, o corpo tem de ser entregue para a família em perfeitas condições, sem nenhuma mutilação e sem sinais de que uma autópsia fora realizada. Assim, o corpo da criança foi preenchido com uma serragem especial.

Foi provavelmente por esse motivo que o médico legista Jaques Cohen, do Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo, disse à família de Enzo que não seria possível realizar outra autópsia no corpo da criança - já que ela havia sido feita primeiro no hospital e, por isso, o corpo estava com serragem.

"O Enzo era uma criança com vários órgãos comprometidos por causa da cardiopatia. É lamentável que os pais tenham levantado uma suspeita desse tipo (de roubo de órgãos) num hospital que faz de oito a dez cirurgias cardíacas por dia", afirmou Timerman.

Juliane Andréia dos Santos, tia do menino, disse que a família assinou o documento sem saber que a autópsia seria feita no hospital - eles imaginaram que seria feita no IML. "Quando colheram a assinatura da minha irmã, ela tinha acabado de perder o único filho, estava em estado de choque". O perito Jaques Cohen informou que não daria entrevista sobre o assunto. A Secretaria da Segurança Pública só vai se pronunciar quando o laudo do IML estiver pronto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.