'Unidades são cobertor para mazelas sociais'

Juiz responsável pelo plantão de internações no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, Samuel Karasin diz que, embora defenda que as internações compulsórias devam sempre estar atreladas à avaliação médica, os juízes acabam muitas vezes mantendo os pacientes hospitalizados por pressão da família ou de advogados que alegam ser um risco liberá-los.

"O juiz recebe isso da forma mais crua possível, com relatos de que o paciente pode morrer se sair da clínica ou que não terá quem cuide dele. É uma situação difícil. Ele não toma essa decisão por arbitrariedade", diz Karasin, que foi designado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para falar sobre o assunto.

O magistrado declarou ainda que o grande número de pacientes que permanecem internados após a alta é reflexo de falhas nas estruturas de assistência social. "A unidade de saúde funciona como um cobertor para algumas mazelas sociais. A parte clínica, de desintoxicação do paciente, por exemplo, é rapidamente resolvida, mas o aspecto social não tem a mesma velocidade de resolução."

Ele diz ainda que faltam conhecimento sobre os cuidados a dependentes químicos e outros pacientes psiquiátricos. "A família pressiona o juiz a manter o paciente internado porque quer uma cura, mas isso não é resolvido somente com uma internação. Essa população precisa de um acompanhamento permanente, mas isso não acontece", diz Karasin. Procurado, o Conselho Nacional de Justiça afirmou que não tem atuação na saúde mental.

Luiz Fernando Toledo e Fabiana Cambricoli

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