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Ministério da Saúde deposita dinheiro para bebê Sofia se tratar nos EUA

Menina Sofia Lacerda sofre de síndrome de Berdon, doença rara que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante que não é realizado no Brasil - Divulgação/Campanha Ajude a Sofia
Menina Sofia Lacerda sofre de síndrome de Berdon, doença rara que afeta o sistema digestivo, e precisa de um transplante que não é realizado no Brasil Imagem: Divulgação/Campanha Ajude a Sofia

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

20/06/2014 20h53

O Ministério da Saúde depositou nesta sexta-feira (20) a quantia de R$ 2,2 milhões em conta judicial destinada ao custeio do tratamento e transporte da bebê Sofia Lacerda, de cinco meses. Com isso, a menina, que precisa de um transplante multivisceral para viver, poderá embarcar para os Estados Unidos nos próximos dias.

A família comemorou o depósito. “Estou muito, muito feliz! Essa luta não foi só minha, foi de todo o povo brasileiro, e também do doutor Miguel Navarro, que comprou essa briga e lutou bravamente”, disse Patricia Lacerda, mãe de Sofia, em fala entrecortada por lágrimas durante entrevista exclusiva ao UOL.

Segundo o Ministério, o depósito ocorreu logo após a pasta receber um laudo atestando que a criança tem condições clínicas de viajar. “A remoção, neste momento, depende da transferência dos recursos pagos ao hospital em que será realizado o tratamento. A transação bancária fica a cargo da família beneficiada”, disse a instituição, em nota oficial.

Ainda segundo o ministério, até quarta-feira (25) o hospital Jackson Memorial, de Miami, fará a confirmação do pagamento, e a família poderá embarcar para os Estados Unidos para iniciar o tratamento. “O Ministério da Saúde providenciou também a cotação do voo de UTI aérea e a emissão de passaportes da criança e acompanhante em 72 horas”, informou o órgão.

Síndrome de Berdon

Sofia possui a síndrome de Berdon, uma doença rara que provoca problemas no intestino, bexiga e estômago. Ela precisa de um transplante multivisceral e a família quer que a bebê seja operada nos Estados Unidos porque no Brasil a cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ainda é experimental. Nenhum procedimento do tipo foi feito no país e há apenas pesquisas sobre o assunto.

Patrícia afirmou, no entanto, que a campanha para a doação de recursos, que já arrecadou cerca de R$ 1,9 milhão, será mantida.  “A luta não termina aqui. Todas as doações serão destinadas ao tratamento da Sofia. Ficaremos dois anos no Estados Unidos e ainda nem sabemos como vai ser. O custo para a recuperação é alto”, disse. A página da campanha é https://www.facebook.com/AjudeaSofia?fref=ts

Decisão judicial

O depósito atende a uma decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo (TRF). No último dia 28 de maio, o desembargador Mário Moraes havia determinado que a União providenciasse a remoção de Sofia para que fosse feito o procedimento cirúrgico, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O procedimento será realizado pelo médico Rodrigo Vianna, brasileiro que trabalha na instituição.

Após a decisão, Sofia deixou o Hospital das Clínicas de São Paulo e foi transferida para o Hospital Samaritano, onde está internada à espera da viagem para os Estados Unidos. O prazo dado para a remoção venceu em 13 de junho, mas, em 10 de junho, a União recorreu.

A família de Sofia chegou a pedir, em 16 de junho, a prisão do ministro da Saúde por descumprimento da decisão. Em 17 de junho, o Ministério da Saúde disse que não iria recorrer e que faria o pagamento.

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