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Suspeito de ebola no Brasil não apresentava sintomas da doença, diz governo

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

10/10/2014 11h36

O paciente suspeito de ter sido contaminado com o vírus ebola não apresentava febre nem outros sintomas da doença quando procurou atendimento médico, informou o ministro Arthur Chioro (Saúde) nesta sexta-feira (10). Há suspeita sobre a contaminação porque ele relatou histórico de febre no dia anterior. Para o ministro, é pouco provável que ele esteja contaminado com o vírus.

O sangue do suspeito foi colhido nesta manhã no Rio de Janeiro. O material será analisado no Pará em um laboratório especializado do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas. O resultado do caso sairá em até 24 horas e repetido após 48 horas. O ministro da Saúde afirmou que se o caso suspeito for confirmado serão reforçadas ações para tentar "bloquear" a doença. Se não for confirmada após a segunda análise do sangue, operação de segurança será interrompida.

Ontem, foi identificado um caso de suspeita de contaminação do vírus em Cascavel (PR). Um homem da Guiné, Souleymane Bah, com 47 anos informou ter tido febre alta entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9). Ele estava em bom estado geral e está sendo mantido em isolamento total para observação.  É o primeiro caso atendido no país desde que o surto da doença se espalhou pela África. Guiné é um dos principais país com casos de contaminação do vírus.

"A situação está sob controle, todos os procedimentos de segurança foram executados com êxito", declarou Chioro.

De acordo com o ministro, como o paciente apresentou febre dentro de um período de incubação do vírus, que é de 21 dias, o caso se tornou suspeito. O tempo é contado a partir do último dia que Bah esteve na Guiné e pode ter tido contato com o vírus. Ele saiu em 18 de setembro da Guiné e chegou em São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 19 de setembro, com uma escala no Marrocos. O paciente foi atendido informando quadro clínico de febre às 17h45 de ontem em Cascavel.

Ministro da Saúde diz que situação está sob controle

Ainda na noite de ontem, Bah foi encaminhado para o Rio de Janeiro em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para realizar tratamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, na zona norte da cidade. Ao chegar ao Rio, o paciente não passou pelas áreas comuns do aeroporto.

A transferência do paciente exigiu uma série de medidas que fazem parte de um protocolo internacional usado em casos suspeitos de ebola. A equipe responsável pela transferência de Bah usaram roupas especiais para evitar uma possível contaminação. O paciente também usou roupas especiais.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro informou hoje que possui um plano de contingência para tratar casos de contaminação pelo vírus. Segundo o órgão, há EPIs (equipamentos de proteção individual) estocado para os profissionais de saúde. O plano foi elaborado em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal de Saúde.

O Ministério da Saúde informou que 64 pessoas participaram da operação e três delas tiveram em contato direto com o paciente. Todas elas ficaram em observação até que o caso seja descartado como infecção com ebola. Segundo Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde, essas pessoas têm baixo risco de contaminação, pois não tiveram contato com fluidos do paciente suspeito.  A suspeita já foi comunicada à OMS (Organização Mundial de Saúde).

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