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27% dos pais de portadores de Down aceitam filhos como são, diz estudo

Catriona Hippman, pesquisadora e conselheira genética da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá - Reprodução
Catriona Hippman, pesquisadora e conselheira genética da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá Imagem: Reprodução

Fabiana Marchezi

Do UOL, em Campinas (SP)

21/05/2015 20h06

Um estudo inédito realizado no Canadá revelou que 27% dos pais de portadores de síndrome de Down não esperam a cura dos filhos porque aprenderam a aceitar a condição deles e os amam como eles são.

“Para eles, a cura significaria perder o filho da maneira como ele é. Os pais os aceitam e os amam como eles são. Para eles, o mais importante é que a população tenha compaixão e veja seus filhos como crianças normais, que talvez demorem um pouco mais para aprender as coisas, mas que vão aprender”, explicou Catriona Hippman, pesquisadora e conselheira genética da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. O estudo será divulgado no sábado (23), durante o 4º Fórum Internacional Síndrome de Down, no Auditório do Centro de Convenções da Unicamp, em Campinas (SP). 

A pesquisa, que abordou mais de 100 casais ao longo dos últimos oito anos, sobre a possibilidade de cura dos filhos, também mostrou que outros 41% dos casais considerariam a cura um alívio e ficariam muito felizes caso isso acontecesse. Já os outros 32% não souberam responder, por não considerar a cura o mais importante.

Com as opiniões sobre a possível cura bem divididas entre os casais, Catriona decidiu perguntar o que eles gostariam que as pesquisas sobre a síndrome investigassem. “A maioria deles pediu para que os pesquisadores descobrissem formas de fazer a sociedade acolher e entender melhor a síndrome e seus portadores”, disse.

O preconceito e a falta de informação foram apontados como grandes desafios pelos pais. Além disso, para eles, o mais importante é dar qualidade de vida aos filhos, com o desenvolvimento de pesquisas que os ajudem a melhorar a parte cognitiva para facilitar o aprendizado, e outros, que os ajudem nos problemas físicos decorrentes da síndrome.

“Esses pais querem que os pesquisadores parem de gastar tempo e dinheiro procurando a cura. Eles querem descobrir formas de dar qualidade de vida aos filhos”, contou Catriona. A conselheira afirmou também que um dos pedidos dos pais é que os próprios médicos parem de ver os portadores da síndrome de Down como doentes. “Os pais percebem um certo receio dos médicos até na hora de contar que o bebê tem Down. Eles querem que os médicos parem de ver a síndrome como uma doença, já que essas pessoas podem levar uma vida normal, mas como um pouco mais de dificuldade”, ressaltou.

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