Saúde pública

Provedor de hospital de SP é investigado por cobrança de cirurgias do SUS

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, de Ribeirão Preto (SP)

  • Beto Macário/ UOL

A Polícia Civil de Colina abriu inquérito para investigar o provedor do Hospital Filantrópico José Venâncio, João Pedro da Silva Destri, por envolvimento em esquema ilegal que obrigava pacientes a pagarem até R$ 2,5 mil em operações realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

De acordo com a entidade, além de ser acusado de ser conivente com o esquema, ele também teria tentado subornar uma testemunha para evitar que o caso fosse levado às autoridades. Destri nega as acusações.

Destri passou a ser investigado no caso que apura a cobrança irregular por parte de dois médicos, o urologista Mohamed Taha e o anestesiologista Glauco Carrara, por cirurgias realizadas no hospital e pagas pelo SUS.  Os dois médicos receberiam, dessa forma, tanto pelo Sistema Único de Saúde quanto os pacientes.

O provedor foi denunciado por uma paciente que já foi ouvida. Agora, testemunhas serão chamadas. "Fomos procurados por uma nova vítima que denunciou o envolvimento do provedor do hospital e que nos relatou que ele ofereceu dinheiro para que ela não levasse a denúncia contra os médicos à polícia", disse o delegado Fernando Galetti, responsável pelo caso.

Vítimas

Segundo Galetti, depois que o caso foi divulgado pela imprensa, pelo menos dez pessoas procuraram a polícia para fazer denúncias sobre o caso. "Registramos os boletins de ocorrência e iremos investigar todos os casos novos. Os dois primeiros, mais antigos, já estão na Justiça e estamos apurando os demais", disse.

A Polícia Civil informou ainda que solicitou ao Ministério Público que peça o afastamento de Destri do hospital e o impeça de entrar no local.

"Iremos encaminhar o caso ao Ministério Público e pedir o afastamento enquanto investigamos. São denúncias muito sérias", relatou o delegado, que investiga, também, se Destri recebeu algum dinheiro para permitir que o esquema se desenvolvesse. "São questões que iremos responder", disse.

Outro lado

Procurado, o provedor informou que desconhece qualquer investigação e que não teve nenhuma participação no esquema. Ele disse ainda que pretende tomar medidas judiciais contra o delegado. 

"Até onde sei, sou testemunha de acusação. Não sabia de nada e nem tive qualquer participação. Se o delegado disse qualquer outra coisa, irei questioná-lo na Justiça", disse.

O provedor, entretanto, não quis dar detalhes sobre as ações judiciais que pretende tomar e pediu que a reportagem entrasse em contato com seu advogado, Pedro Nilson. Ninguém atendeu às ligações feitas pelo número fornecido por Destri.

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