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Saúde

Bolsonaro nega genocídio e justifica ignorar OMS: 'diretor não é médico'

Do UOL, em São Paulo

23/04/2020 20h12Atualizada em 23/04/2020 21h43

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou genocídio ao descumprir orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) no combate à pandemia do novo coronavírus, em live transmitida pelas rede sociais, na noite de hoje.

Bolsonaro é alvo de denúncias por genocídio e crimes contra a humanidade, dentro e fora do Brasil. Em uma delas, por exemplo, deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara listam 22 pronunciamentos e atos de Bolsonaro sobre o vírus, chamando-os de "gripezinha", minimizando seus impactos e atacando governadores e a imprensa.

"Entre o Brasil e um país pobre africano: a expectativa é maior aqui ou maior do Zimbábue? É maior aqui. Por quê? Porque tem uma renda maior. Então, se a nossa renda vai cair, a morte chega mais cedo. É isso que eu sempre busquei ao conhecimento público. Não poderia fugir da verdade. Eu estou sendo acusado, dentro e fora do Brasil, de genocídio por ter defendido uma tese diferente da OMS", disse ele.

Em seguida, Bolsonaro tenta justificar o motivo pelo qual tem ignorado a OMS.

"O pessoal fala tanto em seguir a OMS, né? O diretor da OMS é médico? Não é médico. É a mesma coisa se o presidente da Caixa não fosse da economia. Não tem cabimento. Então, o diretor da OMS não é médico", afirmou ele, se referindo a Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde.

De fato, Tedros não é graduado em medicina, mas sim em biologia. No entanto, o diretor da OMS tem mestrado em Imunologia de Doenças Infecciosas pela Universidade de Londres, doutorado em Saúde Pública pela Universidade de Nottingham e é considerado especialista em operações e liderança em respostas de emergência a epidemias.

Tedros atuou ainda como Ministro da Saúde da Etiópia entre os anos de 2005 e 2012, onde liderou uma reforma abrangente do sistema de saúde do país.

Durante a live, Bolsonaro não falou nada sobre o ministro da Justiça, Sergio Moro, que teria pedido para deixar o governo após o presidente anunciar que trocaria o comando da PF (Polícia Federal),

Desde o ano passado, Bolsonaro tem ameaçado trocar o comando da instituição. O presidente quer ter controle sobre a atuação da polícia. Os ministros Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) foram escalados para convencer Moro a permanecer no governo, segundo a Folha.

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