Após dar certo contra dengue, bactéria é inoculada em mosquito contra zika

Randy Fabi e Kanupriya Kapoor

Em Jacarta, na Indonésia

  • UCSC

    Bactéria usada contra dengue pode atuar como "vacina" para zika

    Bactéria usada contra dengue pode atuar como "vacina" para zika

Um pesquisador de um laboratório da Indonésia estende os braços dentro de caixas de plástico transparente cheias de mosquitos, e ao longo dos 20 minutos seguintes pequenas bolhas surgem em sua pele à medida que ele recebe dezenas de picadas.

A "alimentação" voluntária, na qual os pesquisadores se alternam, é parte de um programa da cidade de Yogyakarta para tentar eliminar doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue e o vírus da zika --ou assim esperam os cientistas diante do aumento dos temores sobre o surto de zika na América Latina e no Caribe.

Os mosquitos carregam uma bactéria chamada Wolbachia, que os cientistas introduziram em gerações anteriores, e mais tarde serão liberados para cruzarem com mosquitos selvagens. A Wolbachia pode atuar como uma "vacina" para o Aedes, bloqueando a multiplicação do vírus dentro do inseto ao ser inoculada no mosquito.

À medida que se dissemina de um inseto para outro, a bactéria reduz a possibilidade de os mosquitos transmitirem o vírus da dengue para humanos.

Resultados iniciais sobre o impacto do experimento na disseminação da dengue incentivaram cientistas indonésios e australianos a ampliarem o programa e incluir o zika.

"Já temos indícios em nossos laboratórios de que o método que refreia o poder da dengue de se desenvolver no mosquito também funciona com o zika vírus", afirmou Scott O'Neill, diretor do Programa Elimine a Dengue (EDP, na sigla em inglês) à Reuters, acrescentando que a pesquisa aguarda análises de seus pares na comunidade científica.

Ainda pouco se conhece sobre zika, inclusive se o vírus causa má-formação craniana.

No dia 1o de fevereiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o Zika uma emergência de saúde pública mundial, afirmando "suspeitar fortemente" de uma ligação entre a presença do vírus em gestantes e a má-formação craniana conhecida como microcefalia. Não existe tratamento nem vacina para a doença, e a OMS recomendou limitar a exposição humana aos mosquitos.

O número de casos de dengue em uma instalação de testes de Yogyakarta onde o método da bactéria foi utilizado diminuiu de 10 em 2015 para somente 1 este ano, mas ele ainda não demonstrou resultados conclusivos fora dos laboratórios.

"Não acredito que exista uma única solução mágica", opinou Adi Utarini, que lidera a pesquisa indonésia. "A nova tecnologia que trazemos não foi concebida para substituir todas as atividades existentes... a prevenção é muito importante".

Financiado em parte pela Fundação Bill and Melinda Gates, o EDP também está testando seus métodos no Vietnã, mas eles estão em seu estágio mais avançado na Indonésia, país tropical que tem o segundo maior índice de casos de dengue, só atrás do Brasil.

 

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