França inicia semana de greves e protestos contra reforma trabalhista

Em Paris (França)

A França iniciou nesta terça-feira (17) uma tensa semana de greves e manifestações contra a reforma trabalhista do governo socialista, que o presidente François Hollande voltou a defender afirmando que não cederá à pressão.

A menos de um mês da Eurocopa de futebol na França, também foram anunciadas greves prorrogáveis a partir de quarta-feira na SNCF (ferrovias francesas), onde reivindicações internas se somam à rejeição da reforma trabalhista, e entre estivadores, marinheiros, carteiros e nos aeroportos de Paris.

Dezenas de milhares de pessoas (68 mil, segundo a polícia; 220 mil, segundo um sindicato) foram às ruas protestar pela sexta vez em pouco mais de dois meses nas principais cidades do país.

Também são esperadas perturbações na quinta-feira no transporte aéreo, dia de mobilização para os controladores de tráfego aéreo.

"Quando não nos escutam, precisamos tentar nos fazer ouvir", havia advertido na segunda-feira Philippe Martinez, líder do maior sindicato francês, o CGT.

"Não cederei porque governos demais já cederam" no passado, alertou o presidente Hollande. "Esta lei vai passar porque foi discutida [e] emendada", acrescentou.

Convocadas pelos setores de transporte dos sindicatos FO e CGT, as ações dos caminhoneiros afetavam nesta terça-feira várias localidades do oeste do país.

Umas 3.000 pessoas, segundo fontes sindicais, paralisaram o grande porto de Le Havre (noroeste) e suas zonas portuária e industrial. Também foram instalados vários piquetes nas estradas.

Em Rennes (oeste), ocorria uma operação tartaruga iniciada por uma dezena de veículos, e havia bloqueios previstos em Caen e em Lorient, assim como várias manifestações ao longo do dia.

Os sindicatos de transportes temem possíveis cortes salariais pela reforma da lei de trabalho, que prevê a possibilidade de que um acordo de empresa reduza o pagamento das horas extras a mais 10%, em vez dos 25% suplementares em vigor atualmente.

Manifestações nas ruas

O descontentamento social se expressa também nas ruas: em Paris, uma manifestação foi convocada para esta terça-feira no centro da capital, e o mesmo ocorreu em outras cidades da França.

Para os sindicatos, o objetivo é reativar o movimento de protesto iniciado há semanas, e que perdeu força na semana passada, com 55 mil manifestantes contabilizados pelas autoridades, contra 390 mil (1,2 milhão em todo o país, segundo os sindicatos) em 31 de março.

Os sindicatos pedem uma retirada total do projeto de lei da reforma trabalhista, já adotado em primeira leitura. Depois de ser debatido em junho no Senado, voltará à Câmara Baixa para uma adoção definitiva, prevista antes do fim de julho.

O governo socialista francês parece politicamente frágil a menos de um ano da eleição presidencial, e o presidente Hollande é acusado de renegar suas promessas eleitorais e de ter optado há dois anos por uma via "social-liberal".

Hollande, que segundo as pesquisas tem índices de popularidade no chão, reiterou nesta terça-feira que esperará até dezembro para anunciar se volta a ser candidato na eleição presidencial de abril-maio de 2017.

Ato falho

Em sua entrevista à rádio na terça-feira, Hollande se mostrou combativo, usou um tom de presidente-candidato e repetiu que "as coisas estão melhores para a França", apesar de quase nove em cada dez franceses não pensarem o mesmo.

O chefe de Estado francês, no cargo desde 2012, disse que "não há alternativa" confiável à esquerda. "Se eu não... se a esquerda não voltar a ganhar, vencerão a direita ou a extrema-direita", afirmou, um ato falho que revelou sua intenção de voltar a se candidatar.

Segundo pesquisa de opinião publicada na segunda-feira, 86% dos franceses acreditam que as coisas não estão melhores para a França, embora uma parcela dos entrevistados (51%) acredite que a situação "está melhor" para eles.

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