Pai do copiloto deprimido que jogou avião nos Alpes polemiza na Alemanha

Berlim, 24 Mar 2017 (AFP) - Dois anos depois que o Airbus A320 da Germanwings foi jogado contra os Alpes franceses, o pai do copiloto que provocou a catástrofe questiona a hipótese de depressão e o consequente suicídio de seu filho.

Em 24 de março de 2015, a bordo do voo 4U 9525 entre Barcelona e Dusseldorf, Andreas Lubitz, o copiloto de 27 anos que tomava antidepressivos, aproveitou que o comandante saiu da cabine do piloto para jogar o avião contra uma montanha do sul dos Alpes, segundo os investigadores.

Na tragédia, morreram 140 passageiros e seis membros da tripulação.

Mas o pai de Andreas, Günter Lubitz, de 62 anos, não acredita na hipótese de suicídio de seu filho e quer divulgar um relatório pericial alternativo, redigido por um jornalista especialista em aviação civil, Tim van Beverin.

O documento enumera "as várias perguntas sem resposta e os aspectos deixados de lado na investigação".

"Nós também buscamos respostas", afirmou Günter Lubitz, falando pela primeira vez à imprensa desde a catástrofe.

"Há dois anos que me sinto como os demais familiares das vítimas, me sinto aturdido ante esta tragedia", acrescentou.

Jä Tim van Beveren questionou as conclusões da investigação, assinalando ter encontrado erros e incoerências.

Van Beveren criticou especialmente o promotor de Marselha (sul da França), Brice Robin, que apontou apressadamente Andreas Lubitz como o único culpado do acidente.

"Todo mundo ouvi isso e escreveu isso e todos acreditaram. Mas só temos teorias e teorias não são provas", enfatizou.

Segundo o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, os dois defendem a tese de uma intoxicação por monóxido de carbono na cabine do piloto, um problema recorrente, mas ignorado pelas companhias aéreas, segundo Van Bedeven.

- Irresponsável -Elmar Giemulla, advogado das famílias das vítimas do A320, classificou o plano de Lubitz de "irresponsável" e denunciou uma provocação, principalmente porque sua ofensiva midiática coincide com o dia do aniversário da catástrofe.

No sul dos Alpes franceses, em Vernet, o povoado mais próximo do local onde caiu o avião, cerca de 500 pessoas se reunirão para inaugurar um monumento em memória das vítimas.

Na Alemanha, estava marcada uma cerimônia às 10H20 local (06H20 de Brasília) - a hora em que ocorreu o desastre - no pátio do instituto Joseph-König de Haltern-am-See, que perdeu 16 alunos e dois professores no drama.

Para a família Lubitz, não existem provas tangíveis de que o copiloto, que havia consultado muitos médicos nos meses anteriores à catástrofe e que foi receitado com psicotrópicos, tivesse a intenção de acabar com sua vida.

"Nosso filho era uma pessoa muito responsável. Não tinha motivos para planejar seu suicídio e fazer isso levando 149 pessoas inocentes", afirmou à imprensa local.

O Birô de Investigações e Análises (BEA) francês, que publicou em março de 2016 suas conclusões do ocorrido, afirmou, no entanto, que a catástrofe se deveu a um ato voluntário, já que foram registrados vários gestos neste sentido na cabine do piloto no momento da colisão.

Andreas Lubitz havia ensaiado seu gesto na mesma manhã, no voo de ida, realizando "ações com o sistema de piloto automático enquanto se encontrava sozinho na cabine".

Já a promotoria de Dusseldorf concluiu as investigações descartando suspeitas de que os médicos que examinaram Lubitz tenham sido negligentes ao não comunicar suas tendências depressivas à empresa Germanwings, a filial de voos de baixo custo da Lufthansa.

Günter Lubitz assegura que seu filho procurou os médicos porque tinha problemas oculares e não transtornos psiquiátricos.

"Ele me contou que via tudo pouco colorido, como através de óculos escuros", afirmou.

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