Ford pede perdão após notícias de assédio sexual em suas fábricas

Washington, 22 dez 2017 (AFP) - O diretor-executivo da Ford desculpou-se com as funcionárias de duas fábricas em Chicago e prometeu mudanças depois da publicação de um artigo que mencionou casos de assédio sexual e supostos abusos contra elas.

O The New York Times publicou nesta semana uma investigação sobre maus-tratos e assédio exercido contra mulheres empregadas em fábricas da Ford nos Estados Unidos que remontam à década de 1990.

Mais de 70% dos trabalhadores atuais ou ex-funcionários denunciam uma cultura particularmente hostil contra as colaboradoras mulheres da empresa.

Em carta aberta aos funcionários, enviada na quinta-feira, o CEO do grupo, Jim Hackett, disse ter "lido e relido esse artigo", que considerou "pungente".

"Lamento por todos estes casos nos quais uma colega foi vítima de assédio ou comportamento discriminatório", escreveu, prometendo "tolerância zero" para o assédio sexual.

"Em nome dos funcionários da Ford Motor Company e no meu, que condenamos este tipo de comportamento e rejeitamos qualquer forma de assédio, peço-lhes perdão. Mais importante ainda, prometo aprender a lição com este assunto e melhorar as coisas".

As revelações se somam à já longa lista de locais de trabalho onde foram denunciados casos de abuso e assédio sexual desde que surgiu a campanha #MeToo (Eu Também) contra o assédio, lançada a partir do escândalo de Harvey Weinstein e que incentiva as mulheres vítimas deste crime a fazerem denúncias públicas.

Na Ford, o assédio teria ocorrido em diferentes fabricas e, em alguns casos, sistematicamente, segundo o NYT.

Uma funcionária contou ter sido pressionada por um supervisor, que a forçou a manter relações sexuais em troca de melhores condições de trabalho.

Hackett anunciou que visitaria as fábricas afetadas em Chicago.

A Ford instaurou políticas nos últimos tempos para mudar a cultura da empresa em suas fábricas, fechando acordos com a autoridade de supervisão e discriminação no trabalho e criando um fundo de 10 milhões de dólares para ajudar as mulheres vítimas de discriminação.

A Ford e o sindicato de trabalhadores do setor automotivo também investiram em capacitação.

No entanto, segundo o The New York Times, a empresa tem demorado em sancionar os culpados e não ofereceu uma formação especificamente dedicada à prevenção do assédio sexual.

"Prometemos que não haverá represálias contra quem denunciar os fatos. Ninguém está acima da lei, independentemente de seu lugar dentro da hierarquia", disse Hackett.

FORD MOTOR

THE NEW YORK TIMES COMPANY

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos