'Sim' da Irlanda ao aborto: um duro golpe para a Igreja católica

Em Londres

  • Paul Faith/AFP

O "sim" da Irlanda ao direito ao aborto significa um duro golpe para a Igreja católica, outrora muito influente no país, e serve de exemplo para a vizinha Irlanda do Norte, muito repressiva nesse tema - avaliam jornais irlandeses e britânicos neste domingo (27).

Com uma maioria inequívoca de 66%, os irlandeses aprovaram a liberalização do aborto no referendo histórico realizado na sexta-feira, em um país de forte tradição católica, três anos depois de legalizar o casamento homossexual.

"Quando eu era jovem, você não podia comprar preservativos, ser homossexual, se divorciar, nem ver 'A vida de Brian'" (um filme dos Monty Python), tuitou Jason O'Mahony, jornalista da edição irlandesa do "Times".

"Agora somos um dos países mais liberais do mundo. Incrível", completou.

O "Irish Times" resume a mudança com estas palavras: "a ilusão de uma Irlanda conservadora e dogmaticamente católica foi pelos ares".

"O que aconteceu no referendo é um cataclismo, mas foi um cataclismo ainda maior a tomada de consciência de que o voto refletia, sobretudo, uma mudança, em vez de iniciá-la", acrescentou o jornal.

"Nossa força não está em nosso passado, mas em nosso futuro", completou.

O tom é idêntico no "Sunday Business Post", que celebra a "Geração Sim" e considera que os irlandeses lutaram contra seu passado e votaram para 'redefinir seu futuro.

Para o "Sunday Independent", "a impressionante margem do 'sim' minimiza a política tal como a conhecemos e amplifica um ruído visceral, gutural, que traduz uma vontade de pôr fim a décadas de hipocrisia e de vergonha".

No Reino Unido, "The Observer" diz acreditar que os resultados da consulta mostram não apenas um amplo apoio aos direitos das mulheres, mas também "uma ruptura com um dos últimos vestígios da influência da Igreja sobre o Estado".

Já o "Sunday Telegraph" afirma que "essa decisão terá consequências na Irlanda do Norte", onde, ao contrário do resto do Reino Unido, o aborto é permitido apenas quando a vida da mãe está em perigo. Em todos os demais casos, as mulheres que se submetem a uma interrupção voluntária da gravidez podem ser condenadas à prisão perpétua.

A pressão crescia neste domingo em torno da primeira-ministra conservadora Theresa May para que faça uma reforma nessa província britânica, que não tem governo local desde 2017.

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