Um ano depois, Trump chama ditador norte-coreano de 'incrível' na ONU

  • Leah Millis/Reuters

    "Kim foi realmente muito aberto e incrível, sinceramente, e acho que ele quer ver algo acontecer", disse Trump, depois de se reunir com o presidente sul-coreano MoonJae-in

    "Kim foi realmente muito aberto e incrível, sinceramente, e acho que ele quer ver algo acontecer", disse Trump, depois de se reunir com o presidente sul-coreano MoonJae-in

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira na ONU que planeja uma segunda cúpula com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, classificado como um homem "incrível" 12 meses depois de assegurar que ele era o "homem foguete" com uma "missão suicida".

Há somente um ano Trump debutou na ONU com a advertência de que o país asiático seria "totalmente destruído" caso os Estados Unidos e seus aliados fossem atacados. Kim respondeu que Trump era "um desequilibrado mental".

Mas nesta segunda-feira, Trump afirmou que muita água rolou e que há um "progresso tremendo" nas negociações para conter os testes nucleares e de mísseis de Pyongyang.

"Kim foi realmente muito aberto e incrível, sinceramente, e acho que ele quer ver algo acontecer", disse Trump, depois de se reunir com o presidente sul-coreano Moon Jae-in, que celebrou recentemente uma cúpula inter-coreana com Kim em Pyongyang.

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"Eu acho que dentro de um período de tempo relativamente curto, (a cúpula) será anunciada. O local será determinado, mas nós dois estamos muito ansiosos para recebê-la."

Kim nunca compareceu à Assembleia Geral da ONU, mas Trump, que se reuniu com ele em uma histórica cúpula em junho passado em Singapura, contou a jornalistas que o líder norte-coreano lhe escreveu "uma bela carta".

Embora as relações com Kim tenham melhorado dramaticamente, os líderes que comparecem à Assembleia Geral neste ano esperam que Trump seja mais duro com outro adversário americano, o iraniano Hassan Rohani, que estará presente na ONU.

Apesar do ceticismo sobre os passos dados por Kim rumo à 'desnuclearização', Trump parece determinado em outorgar-se uma vitória diplomática.

Defesa da soberania 

Em seu discurso de 41 minutos na Assembleia Geral em 2017, o presidente dos Estados Unidos deixou claro que queria rever o caminho trilhado no último meio século com um maior peso das instituições globais para recuperar a primazia americana.

Desta vez, o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, disse que o presidente quer destacar em seu discurso na terça-feira a defesa da soberania americana.

"A ONU tem um potencial tremendo e esse potencial está sendo alcançado, de maneira lenta porém segura", disse Trump nesta segunda-feira em uma reunião sobre drogas à qual também compareceu o secretário-geral da organização, António Guterres.

Pressão sobre o Irã

Este ano, os Estados Unidos irritaram muitos de seus aliados na Europa ao abandonar o acordo negociado em conjunto em 2015 que suspendeu as sanções contra Teerã em troca de concessões iranianas em seu programa nuclear.

A Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio elogiaram Trump por sua postura intransigente em relação a Teerã.

Bolton disse que os Estados Unidos querem aumentar a pressão sobre o Irã, mas não querem derrubar o regime, uma ideia que defende desde antes de assumir o cargo e na qual insiste também o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump.

"Como eu disse repetidamente, a mudança de regime no Irã não é a política do governo", disse Bolton a jornalistas.

"Impusemos duras sanções ao Irã, há mais a caminho, e o que esperamos do Irã são enormes mudanças em seu comportamento".

Trump presidirá nesta quinta-feira, pela primeira vez, uma reunião do Conselho de Segurança sobre a não proliferação nuclear que se centrará no Irã, o que pode gerar um choque com outras potências.

A Casa Branca não fechou completamente a porta para uma reunião de Trump com o líder da república islâmica, mas Rohani disse à NBC News depois de chegar a Nova York que essa oferta é hipócrita.

"Naturalmente, se alguém quer ter uma reunião e manter um diálogo e criar progresso nas relações, essa pessoa não deveria utilizar a ferramenta de sanções e ameaças e desatar todo o seu poder contra outro governo e nação", declarou Rohani.

O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, acusou nesta segunda-feira os aliados americanos Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos de apoiar separatistas árabes que supostamente estão por trás do ataque contra um desfile militar na semana passada que matou 24 pessoas.

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