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Tropas israelenses concluem sua missão em Brumadinho

31/01/2019 15h07

Brasília, 31 Jan 2019 (AFP) - Um contingente de tropas israelenses no Brasil concluiu nesta quinta-feira sua missão de apoio no resgate em Brumadinho, onde a ruptura de uma barragem da mineradora Vale deixou um balanço provisório de 99 mortos e 259 desaparecidos.

"As bravas tropas israelenses, cedidas pelo Primeiro Ministro @netanyahu, encerram hoje a missão no Brasil. Agradeço, em nome do povo brasileiro, ao Estado de Israel pelos serviços prestados em Brumadinho-MG em parceria com nossos Guerreiros das Forças Armadas e Bombeiros", escreveu no Twitter o presidente jair Bolsonaro.

Bolsonaro, de 63 anos, enviou esta mensagem do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo, onde se recupera de uma cirurgia realizada na segunda-feira para a retirada de uma bolsa de colostomia que carregava desde o atentado que sofreu em setembro.

Um contingente de 136 israelenses chegou no domingo passado com 16 toneladas de equipamentos, para reforçar as operações de busca após a ruptura da barragem.

Essa colaboração aconteceu num contexto de aproximação entre os dois países. Bolsonaro prometeu durante a campanha eleitoral que transferiria de Tel Aviv a Jerusalém a embaixada brasileira em Israel, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu esteve presente na cerimônia de posse, em 1º de janeiro.

- Polêmica e agradecimentos -As atividades do contingente israelense deram margem a uma polêmica, quando um comandante brasileiro, o tenente coronel Eduardo Ângelo, assegurou ao jornal Folha de S. Paulo que os equipamentos eram ineficazes, porque detectavam apenas "corpos quentes", enquanto no desastre de Minas Gerais "todos os corpos estão frios".

O embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, rejeitou a afirmação. "Israel tem todo o equipamento necessário para salvar vidas, inclusive para mergulhar na lama. Essa notícia que saiu hoje é fake news", reclamou.

"Quem estiver frustrado com a melhora no relacionamento entre Israel e Brasil que se acostume e 'engula o chapéu'", provocou.

Para abafar a polêmica, o Itamaraty emitiu nesta quinta um comunicado agradecendo a Israel pelo "serviço inestimável" ao país, respondendo "rapidamente" a um apelo do presidente Bolsonaro.

"Trabalhando incansavelmente, em estreita harmonia com as forças brasileiras, a missão israelense (...) prestou um serviço inestimável para o Brasil, neste momento difícil", acrescentou, destacando as tropas enviadas e o equipamento de "alta tecnologia" trazido.

As buscas na região de Brumadinho (a 60 km de Belo Horizonte) mobilizavam mais de 320 bombeiros em seu sétimo dia.

Na quarta-feira, 400 policiais foram enviados para a área "para evitar saques", disse Flávio Godinho, vice-coordenador da Defesa Civil de Minas Gerais.

Após a tragédia, a Vale anunciou o desmantelamento de 10 barragens semelhantes à de Brumadinho, o que irá reduzir em 40 milhões de toneladas a sua produção anual de minério de ferro, 10% da sua produção total, e exigirá um investimento de 5 bilhões de reais.

Na terça-feira, a polícia prendeu cinco engenheiros, três deles funcionários da Vale, responsáveis pela autorização da mina Córrego do Feijão, enquanto a Justiça bloqueou mais de 11 bilhões de reais para futuras indenizações e gastos ambientais e garantir o pagamento de salários.

val/js/mr