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Governo francês se mantém firme em reforma da Previdência

06/12/2019 18h41

Paris, 6 dez 2019 (AFP) - O governo francês informou nesta sexta-feira (6) que está determinado a levar a diante a reforma da Previdência, apesar de uma greve maciça que paralisou, pelo segundo dia consecutivo, o transporte público em todo o país e forçou o cancelamento de centenas de voos.

O novo sistema "garantirá aos franceses justiça e solidariedade", disse o primeiro-ministro Edouard Philippe, em um pronunciamento transmitido pela televisão, após um dia em que mais de 800 mil franceses foram às ruas em mais de 70 cidades em todo o país contra as mudanças propostas pelo governo para aposentadorias e pensões.

Ferroviários, policiais, professores, enfermeiras, garis, caminhoneiros e "coletes amarelos" - o poderoso movimento de protesto social surgido em 2018 - também aderiram à greve na quinta-feira e ameaçam voltar às ruas na próxima terça-feira.

A paralisação nos transportes públicos seguia nesta sexta. Pelo menos 90% de trens de longa distância canceladas, a maioria das linhas de metrô de Paris fechadas e centenas de voos cancelados.

Nos aeroportos, a situação também era caótica. A companhia Air France cancelou pelo segundo dia consecutivo 30% dos voos domésticos e 10% dos voos de média distância. O Eurostar, trem que cruza o Canal da Mancha, também teve viagens canceladas.

Apesar do medo de que o país fique paralisado por várias semanas, como aconteceu em 1995, quando os cidadãos entraram em greve contra uma proposta de reforma da previdência, o atual governo não tem intenção de desistir.

"Estou convencido de que, com as organizações sindicais, encontraremos um bom equilíbrio ... sem abrir mão de nossa firme vontade ... de criar um sistema universal", disse o primeiro-ministro, acrescentando que o governo não busca "confronto".

O primeiro-ministro "permanece surdo às demandas do mundo do trabalho" reagiu o sindicato CGT, o principal organizador dos protestos.

- 'Sem brutalidade' -A reforma da Previdência, que é uma promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron, visa eliminar os 42 regimes especiais existentes atualmente que permitem a aposentadoria antecipada e outros benefícios a determinadas categorias profissionais.

Alguns desses regimes, como os dos empregados de empresas ferroviárias ou marítimas, entre outros, foram criados para compensar a natureza arriscada ou desgastante de certas profissões.

Em vez disso, um sistema único será estabelecido, por pontos, em que todos os trabalhadores terão os mesmos direitos.

Para o governo, este é um sistema mais justo e mais simples. Mas os sindicatos temem que o novo sistema adie a aposentadoria, atualmente aos 62 anos, e diminua o nível das pensões.

"Nossos concidadãos ... sabem que progressivamente teremos que trabalhar um pouco mais, mas é o que acontece em outros países comparáveis à França", disse o primeiro-ministro, sem dar mais detalhes.

Philippe, que estabeleceu o objetivo de implementar a reforma até 2025, prometeu, no entanto, realizá-la "progressivamente" e "sem brutalidade".

O projeto completo, do qual apenas alguns pontos são conhecidos, será apresentado na quarta-feira, acrescentou o chefe do governo francês.

- Nova greve nacional na terça-feira -Após o sucesso do primeiro dia de mobilização, os sindicatos que se opõem à reforma querem manter a pressão e pediram aos franceses que façam greve novamente na terça-feira.

Os parisienses precisaram novamente de paciência para chegar ao trabalho. Nove das 16 linhas de metrô permanecem fechadas, cinco funcionam com a capacidade reduzida e apenas duas, completamente automatizadas, funcionam de maneira normal.

Apesar da baixa temperatura, muitos parisienses usaram suas bicicletas ou recorreram ao sistemas gratuitos de bicicletas ou patins elétricos. Outros compartilharam carros ou decidiram trabalhar de suas casas.

Além disso, sete das oito refinarias do país estavam em greve, o que aumenta o risco de falta de combustível se a mobilização continuar.

De acordo com uma pesquisa, 62% dos franceses apoiam a greve e 75% criticam a política econômica e social do governo Macron.