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Irã ataca bases utilizadas por americanos no Iraque mas afirma 'não buscar a guerra'

08/01/2020 02h02

Bagdá, 8 Jan 2020 (AFP) - O Irã disparou dezenas de mísseis na noite de terça-feira contra bases utilizadas por americanos no Iraque, em resposta ao assassinato do general Qasem Soleimani, em uma medida "proporcional" e que "não busca a guerra" com os Estados Unidos, segundo Teerã.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, declarou que seu país "adotou e concluiu" medidas de represálias "proporcionais" diante do assassinato do general Soleimani, mas destacou que seu país "não busca a guerra" com os Estados Unidos.

No Twitter, Zarif disse que as medidas estão alinhadas com "a Carta da ONU ao visar uma base de onde são lançados ataques contra nossos cidadãos e oficiais de alta patente". "O Irã não busca uma escalada ou a guerra, mas nos defenderemos de qualquer agressão".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu ao ataque informando em um tuíte que "a avaliação de danos e vítimas está em andamento", mas "até agora, tudo bem".

"Temos o Exército mais poderoso e melhor equipado do mundo", recordou Trump, que fará "uma declaração" na manhã desta quarta-feira.

Segundo o Pentágono, "aproximadamente às 17H30 (19H30 Brasília) de 7 de janeiro, o Irã lançou mais de uma duzia de mísseis balísticos contra militares dos Estados Unidos e forças da coalizão no Iraque".

O assistente de Defesa para Assuntos Públicos, Jonathan Hoffman, disse que "está claro que estes mísseis foram lançados do Irã e visavam ao menos duas bases militares iraquianas que abrigam pessoal militar americano e da coalizão, em Al-Assad e Erbil".

Hoffman declarou que o Pentágono está trabalhando em uma "avaliação preliminar dos danos" e na "resposta" ao ataque.

Até o momento não há informações sobre baixas nas bases.

"Nos últimos dias e diante das ameaças e ações do Irã, o departamento de Defesa adotou todas as medidas apropriadas para defender nosso pessoal e seus parceiros. As bases estavam em alerta máximo diante das indicações de que o regime iraniano planejava atacar nossas forças e interesses na região".

Hoffman acrescentou que os Estados Unidos tomarão "todas as medidas necessárias para proteger e defender o pessoal americano, parceiros e aliados na região".

- Ameaça dos Guardiões -Segundo a TV estatal em Teerã, "os Guardiões da Revolução confirmaram o ataque a uma base no Iraque com dezenas de mísseis", e ameaçaram com "respostas ainda mais devastadoras" em caso de reação militar americana.

Entre os futuros alvos dos Guardiões estariam "Israel" e "governos aliados" dos Estados Unidos.

Em seu comunicado, os Guardiões aconselham "o povo americano a chamar de volta suas tropas na região para evitar novas perdas", e a "não permitir que a vida dos soldados seja ameaçada pelo ódio" do governo em Washington.

O general Soleimani foi enterrado nesta terça-feira em sua cidade natal de Kerman, no sudeste do Irã, em um funeral acompanhado por milhares de pessoas.

Segundo fontes iraquianas, o ataque ocorreu em três ondas logo após a meia-noite local e ao menos nove mísseis atingiram a base de Ain al-Assad.

Aviões de combate não identificados sobrevoaram Bagdá na madrugada de quarta-feira, constataram os jornalistas da AFP na capital iraquiana.

- Washington -A Casa Branca revelou que o presidente americano, Donald Trump, foi informado do ataque e acompanha a situação de perto.

"Estamos a par dos ataques a instalações dos Estados Unidos no Iraque. O presidente foi informado e está monitorando de perto a situação e consultando sua equipe de segurança nacional", informou a porta-voz Stephanie Grisham.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) proibiu as empresas aéreas registradas nos Estados Unidos a sobrevoar Iraque, Irã e o Golfo Pérsico.

"A FAA emitiu avisos aos pilotos esta noite explicando as restrições de voo (...) no espaço aéreo sobre Iraque, Irã e as águas do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã".

"A FAA continuará monitorando de perto os eventos no Oriente Médio".

A líder do Partido Democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, declarou que os Estados Unidos "devem garantir a segurança dos membros das nossas forças, deter as provocações desnecessárias da administração e exigir que o Irã para com sua violência".

Segundo Pelosi, "os Estados Unidos e o mundo não podem se permitir a guerra".

O congressista Eliot Engel, presidente do Comitê de Relações Exteriores, disse à CNN que os ataques "podem muito bem" significar que os Estados Unidos estão em guerra.

O ataque derrubou as Bolsas asiáticas na manhã de quarta-feira.

Por volta das 10H15 local, a Bolsa de Tóquio recuava 2,44%, Hong Kong perdia 1,35%, Xangai, 0,47%, e Shenzhen, 0,63%.

Já os preços do petróleo subiam com força no marcado asiático. O barril do WTI era cotado a 65,54 dólares, em alta de 2,84 dólares ou 4,53%.

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