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O que se sabe sobre o coronavírus

28/01/2020 12h46

Paris, 28 Jan 2020 (AFP) - As informações do coronavírus começam a ficar claras: ele é menos mortal que o da Sars (Síndrome Respiratório Aguda Severa), mas mais transmissível - aparentemente, mesmo antes da aparição dos sintomas -, enquanto a comparação com seu parente dá pistas de como combater a epidemia.

- MortalidadeSegundo dados divulgados nesta terça-feira, 106 pacientes morreram de um total de 4.500 casos na China. Nenhum paciente morreu fora da China, enquanto cerca de 50 doentes foram registrados em uma dúzia de países, da Ásia e Austrália à Europa e América do Norte.

O novo vírus, batizado 2019-nCoV, e o da Sars pertencem à mesma família de coronavírus e no plano genético têm 80% de semelhanças.

Segundo a OMS, a epidemia de Sars deixou 774 mortos em 8.096 casos no mundo em 2002/2003, antes de ser interrompida, ou seja, uma taxa de mortalidade de 9,5% (comparado a 34,5% de outra epidemia causada por um coronavírus, a Mers).

A taxa de mortalidade do novo coronavírus "é atualmente inferior a 5%", considerou nesta terça a ministra francesa da Saúde, Agnès Buzyn.

No entanto, esse número é apenas indicativo: o número real de pessoas infectadas é desconhecido porque os pacientes com pouco ou nenhum sintoma não são contados.

- TransmissãoEspecialistas tentam estimar o número de pessoas contaminadas por uma pessoa infectada.

Os cientistas do Imperial College de Londres estimam que "em média, cada caso (de um paciente portador do novo coronavírus) infectou 2,6 pessoas a mais".

Chamada de "taxa básica de reprodução" ou R0, essa medida é importante para entender a dinâmica de uma epidemia.

As diferentes estimativas variam de 1,4 a 3,8, o que é considerado moderado, explicou à AFP David Fisman, professor da universidade de Toronto.

No caso da Sars, estima-se que cada caso tenha infectado uma média de 2 a 3 pessoas (como a gripe), mas com grandes disparidades: havia "super transmissores" capazes de contaminar dezenas de pessoas.

No caso do novo vírus, há uma pergunta crucial: em que estado de infecção o paciente se torna contagioso. "O contágio é possível durante o período de incubação", ou seja, antes mesmo que os sintomas apareçam, disse Ma Xiaowei, diretora da Comissão Nacional de Saúde da China, no domingo. "É muito diferente da Sars", insistiu.

Essa hipótese, no entanto, baseia-se na observação de vários primeiros casos e ainda não está confirmada.

- SintomasA doença causada pelo novo coronavírus e a Sars apresentam sintomas comuns, de acordo com a observação dos 41 primeiros casos detectados na China.

Todos os pacientes sofriam de pneumonia, quase todos tinham febre, três em cada quatro tossiam e mais da metade apresentava dificuldades respiratórias.

"Mas existem diferenças notáveis com a Sars, como a ausência de sintomas que afetam as vias aéreas superiores (congestão nasal, dor de garganta, espirros)", diz o Dr. Bin Cao, principal autor desses trabalhos publicados na revista The Magazine Lancet.

A idade média dos 41 pacientes é de 49 anos, e menos de um terço sofreu doenças crônicas (diabetes, problemas cardiovasculares...). Quase um terço teve uma condição respiratória aguda e seis morreram.

Embora não se possam tirar conclusões gerais devido aos poucos pacientes controlados, essas observações permitem elaborar um primeiro quadro clínico da doença, muito útil, pois o novo coronavírus apresenta sintomas semelhantes aos da gripe de inverno, dificultando o diagnóstico.

Não existe vacina ou medicamento para o coronavírus e a assistência médica é para tratar os sintomas.

- Controle da epidemiaA epidemia de Sars foi contida em vários meses, graças à extensa mobilização internacional. A China impôs rígidas medidas de higiene à sua população, além de dispositivos de isolamento e quarentena.

O país também proibiu o consumo de gatos da algália, um mamífero pelo qual o vírus foi transmitido ao homem.

No caso do novo vírus, não se sabe até agora qual animal desempenha esse papel intermediário. Enquanto isso, a China proibiu o comércio de todos os animais selvagens.

Finalmente, os especialistas destacam a importância de "medidas de barreira", eficazes para outras doenças virais, como a gripe: lavar as mãos com frequência, tossir ou espirrar na dobra do cotovelo ou no lenço, evitar tocar o rosto...

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