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EUA aumentam pressão contra China em defesa da autonomia de Hong Kong

Mike Pompeo, chefe da diplomacia dos EUA  - POOL New
Mike Pompeo, chefe da diplomacia dos EUA Imagem: POOL New

De Washington

27/06/2020 00h07

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (26) que irá restringir a entrada de funcionários chineses acusados de ameaçar a autonomia de Hong Kong, em um momento em que o Congresso americano busca endurecer as sanções contra Pequim.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, informou em comunicado que haverá uma restrição de vistos para autoridades chinesas responsáveis por "minar as liberdades de Hong Kong".

Além disso, Pompeo acusou Pequim de não honrar os compromissos assumidos quando o antigo território colonial britânico passou a fazer parte da China, em 1997.

"Os Estados Unidos instam a China a honrar seus compromissos e obrigações, segundo a declaração conjunta sino-britânica", assinalou Pompeo, pedindo que Pequim proteja a "liberdade de expressão e de reunião pacífica".

As famílias dos funcionários afetados também serão incluídas nas restrições, de acordo com o comunicado.

Um porta-voz do Departamento de Estado não quis informar quantas pessoas serão afetadas e se todas elas terão proibição total de entrada nos Estados Unidos.

"Os indivíduos sujeitos a esta restrição de visto serão avaliados para a sua elegibilidade, ajustando-se aos critérios desta política, e seu visto poderá ser recusado", indicou.

O anúncio é feito no momento em que a China busca aprovar uma lei de segurança para endurecer as punições por atividades consideradas subversivas, depois que no último ano Hong Kong passou por inúmeros protestos contra o poder de Pequim em seu território.

Segundo ativistas, esta lei acabaria com as liberdades que fazem de Hong Kong um dos principais centros financeiros do mundo.

"Exortamos os americanos a corrigir imediatamente seus erros, eliminar estas medidas e parar de interferir nos assuntos internos chineses", reagiu a embaixada da China nos Estados Unidos.

"A China vai continuar tomando medidas fortes para assegurar a soberania nacional, a segurança e o desenvolvimento de seus interesses", continuou um comunicado.

Projeto no Congresso

O anúncio de Pompeo ocorre um dia depois de o Senado americano aprovar uma lei para sancionar funcionários públicos chineses que socavem a autonomia de Hong Kong.

O projeto, que agora deve ser votado pela Câmara dos Representantes, permite sanções nos Estados Unidos contra funcionários chineses e a polícia de Hong Kong, bem como contra os bancos que realizam transações com os mesmos.

Para os defensores da lei, a normativa busca impor sanções reais, em vez de condenações sem consequências.

Pompeo afirma em seus discursos que os Estados Unidos já não consideram Hong Kong como "autônoma", mas as ações específicas tomadas por Washington, incluindo mudanças ao tratado de extradição, tem sido vagas.

Trump não se pronunciou sobre se vai assinar ou censurar o projeto de lei que tramita no Congresso, mas no passado criticou qualquer legislação que considerasse que o amarra.

Seu governo - e Pompeu em particular - denunciou firmemente a China por temas diversos de acusações de violações aos direitos humanos à suas despesas militares. Nos últimos meses, Washington tem criticado Pequim pela gestão da pandemia do novo coronavírus, detectado pela primeira vez na província chinesa de Wuhan em dezembro do ano passado.

Mas paralelamente, o presidente Trump busca selar um tratado comercial com a China e elogia o presidente Xi Jinping.

Segundo as polêmicas memórias do ex-assessor de segurança nacional John Bolton, Trump pediu a Xi ajuda para se reeleger em novembro, pedindo-lhe que comprasse produtos agrícolas americanos.