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Trump e Biden visitam estados-chave no último fim de semana antes das eleições nos EUA

O republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden, adversários nas eleições presidenciais de 2020 - Morry Gash e Jim Watson/AFP
O republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden, adversários nas eleições presidenciais de 2020 Imagem: Morry Gash e Jim Watson/AFP

31/10/2020 18h59

Milwaukee, Estados Unidos, 31 Out 2020 (AFP) - A poucos dias da eleição presidencial nos Estados Unidos, na terça-feira, Donald Trump, Joe Biden e seus principais aliados viajam neste sábado (31) por estados cruciais no centro-oeste industrial e na costa sudeste, em uma frenética corrida para mobilizar os eleitores e apresentar seus argumentos finais.

Reflexo do que está em jogo nessas eleições e do impacto negativo da pandemia do coronavírus, já foram registrados 90 milhões de votos antecipados, no que parecem ser as eleições com maior participação do último século.

O presidente republicano Trump, de 74 anos, em busca de um segundo mandato, focou-se em territórios decisivos, assim como seu adversário democrata Biden, de 77.

Na Pensilvânia (nordeste), o presidente segue em ritmo frenético com quatro eventos, enquanto em Michigan (norte) Biden e o ex-presidente Barack Obama, de quem foi vice-presidente, aparecerão juntos pela primeira vez na campanha.

O vice-presidente Mike Pence, por sua vez, realizava comícios na Carolina do Norte (leste) - onde Trump e Biden competem lado a lado - enquanto a companheira de chapa de Biden, Kamala Harris, estava na Flórida (sudeste), outro estado-chave onde a disputa está acirrada.

A Pensilvânia, onde Trump obteve uma vitória apertada sobre a democrata Hillary Clinton nas eleições de 2016, se tornou um dos alvos mais cobiçados este ano.

A caminho da zona rural do condado de Bucks, Pensilvânia, em sua caravana, Trump passou por centenas de seus apoiadores com cartazes de suporte.

Durante um comício no local, Trump atacou Biden ao descrever sua própria abordagem abertamente disruptiva da política, dizendo estar a serviço dos eleitores.

"Se nem sempre jogo as regras de Washington e do establishment de Washington, é porque fui eleito para lutar por vocês, e lutei mais por vocês do que qualquer outro presidente na história de nosso país", disse ele.

- Coronavírus no centro do debate -A corrida eleitoral, porém, tem sido ofuscada pelo agravamento da pandemia. Mais de 94 mil novas infecções foram registradas na sexta-feira, outra nova alta, e o total de casos ultrapassou nove milhões, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

O país, com quase 230.000 mortes provocadas pelo coronavírus, é o mais afetado do mundo pela pandemia.

Em total contraste com Trump - cujo filho, Donald Trump Jr., disse à Fox na quinta-feira que as mortes por covid-19 haviam caído para "quase nada" - Biden tem seguido rigorosamente as recomendações dos especialistas em saúde pública.

Ele e Obama se apresentam no sábado em Flint e Detroit para um público em seus carros, no formato drive-in, respeitando o distanciamento social, e com a participação do célebre cantor Stevie Wonder como convidado musical.

Trump, aparentemente alheio aos avanços do vírus, continua a minimizar os perigos da doença.

"Se você for infectado, vai melhorar e logo será imune", disse ele perto de Detroit, em um de seus comícios lotados, aos quais muitos vão sem máscaras.

A pandemia devastou a economia e, apesar de alguns sinais de recuperação, milhões de pessoas continuam desempregadas.

- Estados-chave -Esta eleição se dá em um país profundamente dividido, com sentimentos tão polarizados que as vendas de armas aumentaram em algumas áreas. Em algumas cidades, as lojas estão protegendo suas vitrines enquanto a polícia se prepara para possíveis distúrbios.

Trump, que tem tentado vender os êxitos econômicos de sua presidência, está atrás de Biden por cerca de 8 pontos nas pesquisas nacionais, mas a vitória na terça-feira será definida em um punhado de estados onde a margem é muito menor.

O presidente venceu em Michigan por uma estreita margem de 0,2 ponto em 2016, mas este ano o ex-vice-presidente Biden lidera as pesquisas por sete pontos, segundo uma média da RealClearPolitics.

Isso o coloca em primeiro lugar para obter os 16 votos eleitorais deste estado, um salto considerável até os 270 que ele precisa para ganhar a Casa Branca.

Em 2016, Trump aproveitou a baixa participação dos eleitores negros em Michigan para vencer no estado. Agora, Biden faz campanha lá com o primeiro presidente negro do país, na esperança de mobilizar os eleitores afro-americanos.

Desde a semana passada, Obama colocou sua popularidade a serviço de Biden. Organizou vários eventos onde criticou reiteradamente a resposta de Trump à pandemia.

Biden vai se apresentar em seu estado natal no domingo e na segunda-feira, em um claro sinal de que o considera um território crucial.

Já na noite da eleição, o democrata vai se dirigir ao país de seu reduto em Wilmington, Delaware (leste), segundo anúncio de sua campanha neste sábado.

A corrida eleitoral também passou pelo sudoeste do país na sexta-feira, com visitas do vice-presidente Pence, no Arizona, e de Kamala Harris, no Texas, dois outros estados importantes.

O Texas, um lugar tradicionalmente conservador e um cobiçado troféu que confere 38 votos, poderia surpreender e sair do vermelho republicano para o azul democrata, algo que não acontece desde o triunfo de Jimmy Carter em 1976.

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