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1 mês

Operação anticorrupção na Costa Rica revista Casa Presidencial e prende empresários

14/06/2021 19h53

San José, 14 Jun 2021 (AFP) - Autoridades da Costa Rica realizaram uma busca, nesta segunda-feira (14), na Casa Presidencial e várias organizações estatais, e prenderam ao menos dois donos de empresas construtoras, em uma operação para desmantelar uma suposta rede de pagamento de subornos em troca de obras públicas.

Durante a operação, liderada pelo Órgão de Investigação Judicial (OIJ), que depende do Ministério Público, foram realizadas 57 buscas, tanto a entidades públicas como em domicílios particulares. A rede é suspeita de ter desviado entre 2018 e 2020 cerca de 78 bilhões de colones, o equivalente a 125 milhões de dólares.

"Identificamos um esquema de subornos, um esquema de regalias e pagamentos indevidos direcionados a funcionários públicos patrocinados por empresas privadas (...). Inclusive, havia um sistema de intermediação entre empresas privadas e funcionários que permitia a entrega de subornos e a subsequente lavagem e ocultação desses movimentos", expôs o diretor do OIJ, Wálter Espinoza.

Segundo informações oficiais do OIJ, durante a manhã 28 suspeitos foram detidos, entre eles dois dos donos das construtoras mais importantes do país.

A polícia revistou 14 instituições públicas, entre elas a Casa Presidencial, o Conselho Nacional de Rodovias (Conavi), o Ministério de Obras Públicas e Transportes (MOPT) e o Conselho de Transporte Público (CTP), entre outros, múltiplos escritórios de empresas privadas, além de 21 casas de pessoas vinculadas à suposta rede.

"Houve uma denúncia para um grupo de funcionários públicos que favoreciam algumas empresas e que faziam isso para obter benefícios na manutenção do desenvolvimento e construção de estradas", afirmou Espinoza.

"Estas empresas tinham o monopólio de outorgas e licitações públicas porque contavam com o apoio de funcionários que davam benefícios irregulares", acrescentou o chefe da OIJ. Entre os favores, incluem-se carros, terrenos, dinheiro vivo, entre outros.

Os crimes investigados são peculato, suborno, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e tráfico de influências.

- Empreiteiras -Alguns detidos fazem parte da empresa MECO S.A., companhia de capital costa-riquenho, mas com importante presença em obras de infraestrutura pública e privada em Nicarágua, Panamá, El Salvador e Colômbia.

Três das detenções, inclusive, foram feitas nos escritórios da MECO, na localidade de La Uruca, em San José, capital da Costa Rica.

Desde 2019, o Ministério Público costa-riquenho abriu um processo contra eles por se oporem à Lei contra o Crime Organizado e, inclusive, tinham seus telefones grampeados há mais de um ano, segundo o mandato de buscas do caso.

"A construtora Meco está na melhor disposição de colaborar com o Ministério Público, facilitando e entregando informação e documentação requerida sobre o caso", disse a empresa em um comunicado.

Outras apreensões são da construtura H. Solís, uma das mais conhecidas da Costa Rica em licitações públicas.

A esse respeito, a Casa Presidencial enviou um comunicado no qual afirma que está cooperando com todas as diligências judiciais, já que reiteram que "a gestão pública deve acontecer com estrita relação às normas legais e éticas". No recinto a operação durou quase cinco horas.

Esta é a segunda vez em que a Casa Presidencial é revistada. Em fevereiro de 2020, as autoridades fizeram uma busca em suas instalações como parte das investigações sobre o possível acesso ilegal à informação sensível da população por meio da Unidade Presidencial de Análises de Dados (UPAD).

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