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1 mês

Palavras de ordem e protestos contra apagões no Irã

26/07/2021 16h20

Teerã, 26 Jul 2021 (AFP) - Dezenas de pessoas protestaram em Teerã nesta segunda-feira (26) contra quedas de energia. Os atos foram organizados na sequência de manifestações devido à escassez de água.

O Irã, muito rico em petróleo e membro da Opep, enfrenta uma recessão econômica severa, alimentada pelo restabelecimento das sanções americanas desde 2018, além da pandemia.

Numerosas manifestações ocorreram nos últimos anos para protestar contra a piora das condições de vida e ONGs internacionais acusaram o regime islâmico de repressão aos atos.

"Uma concentração moderada de comerciantes" ocorreu na capital iraniana nesta segunda-feira para protestar "contra os problemas causados por quedas de energia", relatou o Iribnews, o site da televisão estatal.

"Algumas pessoas aproveitaram a manifestação para dar um tom político ao descontentamento dos comerciantes, gritando slogans que violam as regras", acrescentou o Iribnews, sem dar maiores detalhes.

O termo "violar as regras" é usado pelas autoridades para se referir a palavras de ordem contra as autoridades da República Islâmica do Irã.

- "Nem Gaza, nem Líbano" -A manifestação é organizada após outros protestos em várias cidades da província do Juzestão (sudoeste) contra a escassez de água.

Três pessoas morreram nesta província e uma quarta em "distúrbios" na vizinha Lorestão, de acordo com a mídia oficial.

O protesto em Teerã durou uma hora e os manifestantes se dispersaram sem incidentes, apesar da presença de policiais, apurou um jornalista da AFP.

Um vídeo da agência de notícias conservadora Fars, ligada ao islã, mostrou dezenas de manifestantes gritando "Nem Gaza, nem Líbano, minha vida pelo Irã".

Esta declaração parecia criticar o envolvimento do Irã em vários conflitos no Oriente Médio, sacrificando o padrão de vida dos iranianos.

Teerã e outras cidades sofrem constantes cortes de energia desde o início de julho.

- O jogo dos "inimigos" do Irã -Além dos problemas de fornecimento de eletricidade, a sociedade iraniana está indignada com a escassez de água, especialmente na região do Juzestão.

A maioria dos habitantes dessa região sul é sunita e se considera marginalizada pelo poder central.

Alguns dos protestos mais intensos contra o regime ocorreram lá, em novembro de 2019.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, pediu na sexta-feira aos manifestantes que não entrem no jogo dos "inimigos" do Irã. Mas reconheceu que a escassez de água é um grande problema.

O Irã também é um dos países asiáticos mais afetados pela covid-19 e agora enfrenta uma intensa "quinta onda" de casos.

O número de positivos diários ultrapassou 30.000 pela primeira vez nesta segunda-feira, anunciou o Ministério da Saúde.

Mais de 89.000 pessoas morreram no Irã por causa da pandemia e 3,7 milhões de iranianos foram infectados, de acordo com os últimos dados oficiais, que não incluem o número real de mortes e infecções, conforme reconhecido pelas mesmas autoridades.

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