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Defesa de Maxwell tenta encurralar testemunha em julgamento por abusos sexuais

01/12/2021 21h55

Nova York, 2 dez 2021 (AFP) - A defesa de Ghislaine Maxwell tentou encurralar uma suposta vítima de abuso sexual aos 14 anos da "socialite" britânica e do bilionário Jeffrey Epstein, que testemunhou contra ela em seu julgamento em Nova York.

Identificada com o pseudônimo "Jane", a denunciante foi a primeira de quatro mulheres que prestam depoimento contra Maxwell, acusada de recrutar menores de idade para a satisfação sexual de seu então amante e amigo Epstein, que se suicidou na prisão há mais de dois anos.

A filha de 59 anos de Robert Maxwell, que em vida foi um magnata da imprensa britânica, se declarou inocente das seis acusações contra ela, incluindo tráfico sexual de menores, que pode levar a uma pena de 80 anos de prisão.

A advogada de Maxwell, Laura Menninger, acusou Jane de discrepâncias entre a história que ela contou inicialmente aos policiais em dezembro de 2019 e o testemunho que deu ontem no tribunal.

Menninger tentou encurralá-la dizendo que na versão contada à polícia ela não tinha certeza se Maxwell a tocou ou a beijou, diferente de seu vívido relato ao júri na véspera sobre a participação da acusada em massagens eróticas, sexo em grupo e abuso com Epstein.

A estratégia da defesa era apresentá-la como uma atriz que havia aprendido o papel durante esse tempo para realçar o drama.

Na vez da acusação, a promotora Allison Moe perguntou se ele estava "atuando aqui hoje".

"Não", respondeu Jane, explicando que em seu primeiro depoimento aos agentes foi difícil para ela contar a estranhos "o mais vergonhoso e profundo segredo que carregou por toda a vida", portanto, não revelou todos os detalhes.

Em lágrimas, ela disse que aos poucos se sentiu mais preparada para contar sua história e "começou a sentir que podia confiar" nas autoridades. "É algo que carreguei minha vida toda. Simplesmente estou cansada", declarou.

No primeiro interrogatório da promotoria, Jane disse que conheceu Epstein e Maxwell em um acampamento artístico de verão em Michigan em 1994, quando ela tinha 14 anos.

Durante o interrogatório nesta quarta-feira, a acusação perguntou a ela sobre as alegações da defesa de que ela estaria testemunhando por dinheiro.

Jane respondeu que não tinha nenhum interesse financeiro ao falar, já que recebeu 5 milhões de dólares do Fundo Epstein, valor que, após deduzidas as despesas legais, caiu para 2,9 milhões.

Ela então começou a chorar escondendo o rosto com um lenço. Quando se recuperou, afirmou que o que buscava era "de alguma forma encerrar" este capítulo de sua vida.

"Acho que neste país compensação é a única coisa que se pode conseguir para tentar seguir em frente com sua vida", disse ela. "Espero que isso dê um fim a tudo."

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