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Conteúdo publicado há
1 mês

EUA e países ocidentais acusam talibãs de 'execuções sumárias' de ex-policiais

05/12/2021 12h40

Washington, 5 dez 2021 (AFP) - Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais acusaram no sábado (4) o Talibã de "execuções sumárias" de ex-membros das forças de segurança afegãs, reveladas por organizações de direitos humanos.

Neste domingo (5), os talibãs negaram as acusações.

"Estamos profundamente preocupados com relatos de execuções sumárias e desaparecimentos forçados de ex-membros das forças de segurança afegãs, documentados pela Human Rights Watch e outros", diz um comunicado assinado por Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Reino Unido e Japão, entre outros, publicado pelo Departamento de Estado americano.

Os países afirmaram que as violações de direitos "contradizem" a anistia às forças de segurança anunciada pelo Talibã depois que tomou o poder no Afeganistão em agosto, quando o governo de Cabul, apoiado pelos EUA, e o exército colapsaram.

"Sublinhamos que as supostas ações constituem graves abusos dos direitos humanos e contradizem o anúncio de anistia do Talibã", declarou o grupo de nações, conclamando os novos governantes do Afeganistão a garantir que a anistia seja aplicada e "ratificada por todo o país e em todas as suas fileiras".

"Essa informação não se apoia em nenhuma evidência. Nós a rejeitamos", declarou um porta-voz do ministério do Interior, Qari Sayed Khosti.

"Houveram casos de assassinatos de ex-membros das forças de segurança, mas em razão de rivalidades e inimizades pessoais", afirmou.

No início da semana, a Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório documentando a execução sumária ou o desaparecimento forçado de 47 ex-membros da Força de Segurança Nacional Afegã (ANSF), outros militares, policiais e agentes de inteligência "que se renderam ou foram detidos pelas forças talibãs" de meados de agosto a outubro.

"Os casos denunciados devem ser investigados prontamente e de forma transparente, os responsáveis devem ser responsabilizados e essas medidas devem ser claramente divulgadas como um elemento de dissuasão para futuros assassinatos e desaparecimentos", afirmam os países signatários, que incluem Canadá, Nova Zelândia, Romênia, Ucrânia e várias nações europeias.

"Continuaremos medindo o Talibã por suas ações", observaram.

O Talibã assumiu o poder em agosto, cerca de 20 anos depois de terem sido expulsos pelas forças dos Estados Unidos, que encerraram um mandato fundamentalista marcado por um tratamento brutal às mulheres, incapacidade de defender os direitos humanos e interpretação rigorosa do Islã.

Os atuais líderes talibãs, ansiosos por ganhar o respeito internacional, prometeram que seu regime será diferente.

Mas o novo governo continua a aplicar punições violentas, e as Nações Unidas expressaram preocupação com "denúncias credíveis" de que conduziu assassinatos em represália desde sua vitória, apesar das promessas de anistia para as tropas do governo derrubado.

Em seu relatório, a HRW indicou que os líderes talibãs ordenaram às forças de segurança rendidas que se registrassem junto às autoridades, a fim de verificar suas ligações com certas unidades militares ou forças especiais e, assim, receber uma carta garantindo sua segurança.

"No entanto, os talibãs usaram essas verificações para prender e, em resumo, executar ou sumir com indivíduos dias após seu registro, deixando seus corpos para serem encontrados por famílias ou comunidades", explicou a organização.

Washington conversou com autoridades do Talibã no início da semana, quando instou o grupo fundamentalista islâmico a dar às mulheres e meninas acesso à educação em todo o país.

Foi a segunda rodada de discussões, que aconteceu em Doha, desde que as forças dos Estados Unidos deixaram o Afeganistão.

Também "expressou profunda preocupação com as alegações de abusos dos direitos humanos", segundo um porta-voz dos EUA.

mlm/sst/lm/atm/mr