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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Rússia afirma que destruiu depósitos de armas ocidentais e corta o gás para Polônia e Bulgária

Foto das obras da usina de gás natural da Novatek no Ártico russo, tirada em 2015, na península de Iamal - Kirill Kudryavtsev
Foto das obras da usina de gás natural da Novatek no Ártico russo, tirada em 2015, na península de Iamal Imagem: Kirill Kudryavtsev

27/04/2022 10h16

A Rússia anunciou nesta quarta-feira (27) que destruiu uma "grande quantidade" de armas que os países ocidentais entregaram à Ucrânia e cortou o fornecimento de gás para Polônia e Bulgária, uma decisão que a União Europeia (UE) classificou de chantagem.

O conflito, que entrou no terceiro mês, é cada vez mais intenso no leste e sul da Ucrânia, onde a Rússia concentra atualmente seus esforços militares.

O ministério ucraniano da Defesa informou que as tropas russas tomaram o controle de várias localidades do leste, tanto na região de Kharkiv como em Donetsk.

A Rússia também bombardeou no sudeste uma "grande quantidade" de armas fornecidas à Ucrânia pelos países ocidentais, que foram destruídas por mísseis de alta precisão Kalibr, de acordo com o ministério da Defesa de Moscou.

Os ataques atingiram os hangares de uma fábrica de alumínio em Zaporizhzhia, afirmou o ministério em um comunicado, que não cita os tipos de armamentos destruídos.

Os bombardeios aconteceram um dia após uma reunião entre Estados Unidos e países aliados na Alemanha, durante a qual Washington prometeu ajuda para a vitória de Kiev.

Mas o conflito também pode afetar o oeste da Europa, após várias explosões na região moldava de Transnístria, na fronteira com a Ucrânia e ocupada pelas forças de Moscou há décadas.

As autoridades desta região separatista afirmaram que Cobasna, uma localidade na fronteira com a Ucrânia e com importantes depósitos de munições do exército russo, foi alvo de ataques.

'Chantagem'

Também nesta quarta-feira o grupo russo Gazprom suspendeu o fornecimento de gás para Bulgária e Polônia porque os dois países, membros da OTAN e da UE, não pagaram pelo abastecimento em rublos.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou no mês passado que o país aceitaria apenas o pagamento do gás em sua moeda nacional, o rublo. O objetivo é proteger a divisa das sanções ocidentais.

Bulgária e Polônia, muito dependentes do gás russo, afirmaram, no entanto, que o abastecimento está garantido graças a outras fontes.

A suspensão do abastecimento é consequência de "ações inamistosas sem precedentes", declarou Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

Mas para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o anúncio da empresa é "uma nova tentativa da Rússia de fazer chantagem com o gás".

A líder do Executivo da UE declarou que o bloco está preparado para uma eventual interrupção do fornecimento do gás russo e elabora uma "resposta coordenada" para o cenário.

A guerra na Ucrânia evidenciou a dependência da UE do gás russo, que representa 45% das importações do bloco no setor.

Até o momento, a UE impôs apenas um embargo sobre o carvão russo, mas não sobre o gás e o petróleo.

A Comissão apresentou uma proposta para suspender por um ano as tarifas às importações da Ucrânia, como um gesto adicional de apoio a Kiev.

Mais produção militar

Depois de mais de dois meses de guerra, as potências ocidentais se mostram menos hesitantes no momento de apoiar a Ucrânia com armamento para resistir aos ataques de Moscou.

Poucas horas depois de um alerta da Rússia sobre o risco "real" de uma nova guerra mundial, o governo dos Estados Unidos reuniu representantes de quase 40 países aliados em sua base militar de Ramstein, na Alemanha.

"A Ucrânia acredita que pode vencer e todo mundo pensa o mesmo aqui", afirmou o secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, durante o encontro.

A ministra britânica das Relações Exteriores, Lizz Truss, pedirá aos aliados que aumentem a produção militar, incluindo tanques e aviões, para a Ucrânia e fará um apelo para que o restante da Europa corte "de uma vez por todas" as importações de energia da Rússia.

'Desestabilizar'

Na frente de batalha, os combates prosseguem no leste da Ucrânia, alvo prioritário da Rússia.

As forças russas desalojaram o exército ucraniano de Velyka Komyshuvakha e Zavody, na região de Kharkiv, e tomaram o controle de Zarichne e Novotoshkivske, na região de Donetsk, informou o ministério ucraniano da Defesa.

O objetivo da Rússia é estabelecer uma ligação terrestre entre a anexada península da Crimeia e os territórios separatistas do Donbass, onde as tropas de Kiev lutam contra os separatistas pró-Moscou desde 2014.

Mas recentemente, um general russo afirmou que a ofensiva do Kremlin na Ucrânia pretendia criar inclusive um corredor até a região separatista moldava de Transnístria.

"A Rússia quer desestabilizar a região da Transnístria", escreveu no Twitter Mikhailo Podolyak, conselheiro do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

"Se a Ucrânia cair, amanhã as tropas russas estarão nos portões de Chisinau", a capital da Moldávia, acrescentou.

A autoproclamada "república" da Transnístria se separou da Moldávia em 1992, após uma breve guerra contra o país.

Antes dos disparos registrados nesta quarta-feira, a área foi cenário de explosões na segunda e terça-feira, de acordo com as autoridades locais. Em resposta, a Moldávia anunciou medidas para reforçar a segurança fez um apelo de calma.

A guerra na Ucrânia pode provocar três milhões de refugiados adicionais até o fim do ano, informou a ONU. Até o momento, mais de 5,3 milhões de pessoas fugiram do país.