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Há 'catástrofe educacional' na América Latina e Caribe, dizem ONU e Banco Mundial

11.set.2020 - Sala de aula com mesas marcadas com fita para distanciamento de estudantes em escola na zona leste de São Paulo no primeiro ano de pandemia - Rubens Cavallari/Folhapress
11.set.2020 - Sala de aula com mesas marcadas com fita para distanciamento de estudantes em escola na zona leste de São Paulo no primeiro ano de pandemia Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

23/06/2022 13h38

Entre 80% e 90% das crianças da América Latina e do Caribe não conseguirão entender um texto simples devido à "catástrofe educacional" causada pela pandemia de covid-19, segundo previsões de organismos internacionais divulgadas nesta quinta-feira (23).

A dramática declaração aparece em relatórios preparados pelo Banco Mundial, Unicef, Unesco, USAID e outras agências internacionais.

De acordo com o documento intitulado "Dois anos depois: salvando uma geração", do Banco Mundial, Unicef e Unesco, quatro em cada cinco crianças da América Latina e Caribe não conseguirão entender um texto simples.

Da mesma forma, o estudo "Situação da pobreza de aprendizagem no mundo: atualização 2022", elaborado pelo Banco Mundial, as referidas agências da ONU, USAID FCDO e BMGF, revela que nove em cada dez estudantes da região não conseguem ler um texto simples no final do ensino fundamental.

Apenas a África Subsaariana apresenta piores resultados.

O primeiro relatório destaca que a pandemia de covid-19 causou o fechamento de escolas mais longo e constante do planeta na América Latina e no Caribe, fazendo com que os alunos da região perdessem em média 1,5 ano de aprendizado.

Isso pode significar um retrocesso de mais de dez anos, sublinha o texto.

A região "enfrenta uma crise educacional sem precedentes que pode comprometer o desenvolvimento futuro de nossos países", disse Carlos Felipe Jaramillo, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

"O fato de que a grande maioria dos alunos da sexta série pode não ser capaz de entender o que lê coloca um ponto de interrogação sobre o bem-estar futuro de milhões de crianças que ainda não desenvolveram habilidades fundamentais críticas, aumentando o risco de aprofundar ainda mais as desigualdades de longa data na região", acrescentou.

"Muitas crianças não puderam voltar à escola em tempo integral e muitas das que voltaram estão perdidas. Em ambos os casos, elas não estão aprendendo", disse Jean Gough, diretor do Unicef para a América Latina e o Caribe, acrescentando que esta "catástrofe educacional" é reproduzida "dia após dia".

Segundo Claudia Uribe, diretora da OREALC/UNESCO Santiago, a recuperação só pode ser alcançada priorizando a educação na agenda pública.

Entre as "ações-chave" para "redirecionar esta geração", o documento propõe a reintegração de todos os alunos que deixaram o sistema de ensino e a garantia de que nele permaneçam, bem como a valorização e formação dos professores.